EDITORIAL: Dia Internacional do Beijo

Imagem2A sandice dos «dias internacionais» não tem limites, Organizações internacionais e nacionais com credibilidade (ou com obrigação de a ter) – UNESCO, ONU, Instituto Camões, subscrevem este tipo de celebrações, das quais apenas uma pequena quantidade faz sentido, sentido que a vulgarização acaba por destruir – compreende-se que o dia 1 de Janeiro seja o Dia Mundial da Paz, mas por que raio o 2 de Fevereiro é o Dia Mundial das Zonas Húmidas? Em 8 de Março celebra-se o Dia Internacional da Mulher – isto quer dizer que nos restantes 363 dias se pode bater, estuprar, humilhar, esposas, mães, irmãs, filhas, amigas? Como só há 364 ou 365 dias no ano e a imbecilidade não cabe neles, 22 de Março, Dia Mundial da Poesia é também o Dia Mundial do Sono, acumulação que pode dar lugar a celebrações em que, por exemplo, enquanto um declamador recita a Balada da Neve, o auditório está provido de divãs onde o público ressona ao ritmo dos versos de Augusto Gil. Hoje, 13 de Abril, é o Dia Internacional do Beijo, E vamos reflectir sobre o beijo – ou seja, de certo modo, celebrar o dia, como a UNESCO manda.

Dissemos reflectir? Mas que reflexão cabe num tema que sendo agradável e podendo ter consequências graves (quem sabe se Adolf Hitler não terá sido concebido na sequência de um beijo?)não dá espaço a grandes especulações filosóficas. Uma canção pirosa põe uma série de hipóteses que esgotam praticamente o tema – Paquita Rico disserta sobre el beso:

A kiss is just a kiss, desvaloriza.se em As time goes by, o tema musical de “Casablanca”. Mas, como vimos atrás, não é bem assim – um beijo pode estar na origem de um Shakespeare ou de um Mussolini. Não digo de um Salazar, porque a moda dos beijos românticos não deve ter chegado a Santa Comba tão cedo… E a prova está no zelo com que António Lopes Ribeiro nos seus filmes não  ia além de uma inclinação do Curado Ribeiro na direcção da Milu.  A consumação do gesto, tínhamos nós de a imaginar. No império de Mussolini os beijos eram proibidos mesmo nos filmes estrangeiros. Não resistimos à tentação de mostrar o final de Cinema Paradiso, o belo filme de  Giuseppe Tornatore.

Mas antes perguntamos: para quando o Dia Mundial das Claques do Futebol? No Dia Mundial dos Animais, não. Os animais são nossos amigos.

 

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