EDITORIAL: O Primeiro de Maio – por Carlos Loures

Dia do Trabalhador.

É das poucas datas que se torna indispensável comemorar, uma ilha num oceano de feriados e de dias santos que farão sentido para os crentes, mas que o não fazem para todos os que perfilham outras religiões, são agnósticos ou ateus. E num Estado laico,  a Igreja Católica é aceite à mesa de negociações em que o Dia da Independência ou o da Implantação da República, são postos em pé de igualdade com o  Dia da Senhora da Assunção. Bem, a meu ver, um Estado laico não deveria sequer aceitar acolher uma Embaixada de um Estado designado por Santa Sé. Instâncias da estrutura religiosa, permitem-se emitir opinião sobre decisões governamentais – podem e devem ser criticadas, mas pelos cidadãos – nunca pelos representantes de uma crença religiosa.

É este tipo de concessões que partidos que se reivindicam da Esquerda, não deviam fazer´; é este tipo de funcionamento que, em nome da Democracia, se traem os mais básicos valores da Democracia. Não compreendo que esses partidos aceitem e possam levar a sério um parlamento onde a moderação verbal é uma virtude e se escuta a pandilha de miseráveis que constituiu o governo anterior a falar como se tivessem feito um trabalho impecável. E não estou a defender a «geringonça»; estou a acusar os partidos herdeiros da União Nacional (que por força da sua genealogia a Constituição devia ter impedido de se constituir) de falta de pudor e os outros de aceitarem o sorriso imbecil de Passos Coelho, o tom acusatório de Assunção Cristas, sem  que lhes lembrem, por exemplo, o obscuro negócio dos submarinos…

Hoje é Dia do Trabalhador,

É o dia daqueles que pagam toda esta comédia. Cantemos a Internacional, agitemos as bandeiras vermelhas e cerremos o punho  –

símbolos que os anarquistas criaram e dos quais os partidos comunistas e social-democratas se apropriaram – bem podiam contentar.se com uma foice e um martelo que já não representam os operários e os camponeses – que usam ferramentas mais sofisticadas. Os social-democratas, estão a substituir o punho cerrado por uma rosa – é um acto de cobardia, mas assumir a cobardia é um acto coerente.

A letra da Internacional foi «adequada» aos princípios de PCs e PSs.

Mas a música não mudou.

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