Dia do Trabalhador.
É das poucas datas que se torna indispensável comemorar, uma ilha num oceano de feriados e de dias santos que farão sentido para os crentes, mas que o não fazem para todos os que perfilham outras religiões, são agnósticos ou ateus. E num Estado laico, a Igreja Católica é aceite à mesa de negociações em que o Dia da Independência ou o da Implantação da República, são postos em pé de igualdade com o Dia da Senhora da Assunção. Bem, a meu ver, um Estado laico não deveria sequer aceitar acolher uma Embaixada de um Estado designado por Santa Sé. Instâncias da estrutura religiosa, permitem-se emitir opinião sobre decisões governamentais – podem e devem ser criticadas, mas pelos cidadãos – nunca pelos representantes de uma crença religiosa.
É este tipo de concessões que partidos que se reivindicam da Esquerda, não deviam fazer´; é este tipo de funcionamento que, em nome da Democracia, se traem os mais básicos valores da Democracia. Não compreendo que esses partidos aceitem e possam levar a sério um parlamento onde a moderação verbal é uma virtude e se escuta a pandilha de miseráveis que constituiu o governo anterior a falar como se tivessem feito um trabalho impecável. E não estou a defender a «geringonça»; estou a acusar os partidos herdeiros da União Nacional (que por força da sua genealogia a Constituição devia ter impedido de se constituir) de falta de pudor e os outros de aceitarem o sorriso imbecil de Passos Coelho, o tom acusatório de Assunção Cristas, sem que lhes lembrem, por exemplo, o obscuro negócio dos submarinos…
Hoje é Dia do Trabalhador,
