
GRANDE NOVEMBRO NO TCSB: “PÚBLICO X LORCA”, CITEMOR E MUITO MAIS

Ao mesmo tempo que levamos a “Embarcação do Inferno” à Figueira da Foz, a Évora e a Castelo Branco, temos um mês cheio de propostas irrecusáveis no TCSB. A estreia da co-produção internacional “Público x Lorca”, o acolhimento da extensão a Coimbra do 39.º Citemor – Festival de Montemor-o-Velho e, claro, os Sábados para a Infância são os principais destaques da programação de Novembro.
Das propostas do Citemor faz parte o “Laboratório” de Rui Catalão, aberto a todas/os as/os que quiserem participar. As inscrições estão abertas!
CITEMOR: O LABORATÓRIO E A ASSEMBLEIA DE RUI CATALÃO E A PERFORMANCE DE EDURNE RUBIO

Ainda que fora da época habitual, o Citemor – Festival de Montemor-o-Velho cumpre em 2017 a sua 39.ª edição. A Escola da Noite volta a ter o privilégio de acolher no TCSB a extensão a Coimbra, com os espectáculos “Assembleia”, do português Rui Catalão (30 de Novembro e 1 de Dezembro, às 21h30) e “Light Years Away”, da espanhola Edurne Rubio (2 de Dezembro, às 21h30).
A proposta de Rui Catalão inclui um “Laboratório de trabalho aberto à comunidade”, para o qual estão neste momento abertas as inscrições. Os participantes, que não têm de ter experiência em artes performativas, trabalharão ao longo do mês com o encenador e serão parte activa dos espectáculos a apresentar ao público. Tal como fez em Lisboa, no Teatro Maria Matos, em Fevereiro deste ano, Catalão propõe como “ponto de partida” o “problema da habitação” e da “coabitação”. Um casal está dividido quanto ao que deve fazer em relação à sua casa: um dos elementos defende que devem permanecer no local onde vivem e trabalhar juntos para criarem melhores condições; o outro elemento, pelo contrário defende que devem mudar-se. Há quatro “níveis potenciais de mudança” (mudar de casa, de bairro, de cidade ou de país) e três resultados possíveis: “ou ficam, ou mudam-se, ou separam-se e cada um toma a sua própria decisão”. A discussão ajuda a “identificar problemas que só podem ser resolvidos no contexto da comunidade, usando ‘ferramentas’ políticas para os solucionar”. As inscrições para participar no Laboratório podem ser feitas através do e-mail coimbra.assembleia@gmail.com ou pelo telefone 917 909 607. Os trabalhos decorrerão a partir de 6 de Novembro, já no Teatro da Cerca de São Bernardo, em horários a definir.

Edurne Rubio traz ao TCSB o espectáculo “Light Years Away”, um “projecto audiovisual e performativo” construído a partir de memórias pessoais e familiares em torno das expedições espeleológicas na gruta de Ojo Gareña, no norte de Espanha, “uma das grutas mais profundas do mundo”. Os irmãos de Edurne, “nascidos na conservadora cidade de Burgos logo após a Guerra Civil Espanhola, encontraram uma forma de escapar à pobreza e ao isolamento que governavam a sua vida sob a ditadura de Franco”. “Debaixo de terra – afirma Edurne – encontraram a liberdade de que necessitavam à superfície”. O espectáculo “observa as grutas como espaços para a vida” e convida o espectador a deixar-se “envolver na obscuridade”, a escutar e a “deixar-se levar” pela imaginação. Será apresentado numa única sessão, no dia 2 de Dezembro, sábado, às 21h30.
Como tem sido habitual, nos espectáculos do Citemor é o público que define o preço da sua entrada – paga o que entender, sem limites mínimos nem máximos. Já é possível comprar ou reservar bilhetes, pelos contactos habituais do TCSB.
PÚBLICO X LORCA EM ESTREIA MUNDIAL

Conforme foi apresentado em conferência de imprensa, o mês de Novembro no TCSB fica ainda marcado pela estreia mundial do projecto “Público x Lorca”, criação colectiva a partir de “O Público”, de Federico Garcia Lorca, com direcção do espanhol Matilde Javier Ciria.
Na apresentação pública do projecto, o director referiu-se ao texto escolhido como “a obra perfeita” para trabalhar em conjunto “as diferentes linguagens do teatro físico, da dança e do teatro de texto”. A peça – afirmou – “não pára de dar-me imagens”. Salientando ainda as “infinitas camadas” que é possível encontrar na peça que o próprio Lorca considerou “irrepresentável” em 1933, logo depois de a ter escrito, Matilde destacou as interrogações que ela suscita. À cabeça, destacou, está a questão de “o que fazes tu com a tua liberdade – tanto como pessoa como enquanto artista no palco?” Ainda no que respeita aos conceitos-chave para a construção e interpretação do espectáculo, o encenador lembrou duas ideias muito presentes no trabalho de Lorca, que transportou para esta criação: “transformação e morte”.
O espectáculo está a ser construído por um colectivo de 10 artistas oriundos de quatro países: Costa Rica, Espanha, Portugal e França e é financiado pelo programa Iberescena. Da equipa fazem parte os actores Arturo Campos (Costa Rica), Eduardo Retamar e Matilde Javier Ciria (Espanha) e Rafaela Bidarra (Portugal) e ainda Carolina Santos (direcção plástica), Maxence Thireau (máscaras), Fabian Arroyo (música original) e Jorge Ribeiro (desenho de luz), entre outros. Depois de uma primeira residência artística realizada em Espanha, o grupo está em Coimbra há cerca de três semanas, ensaiando no Teatro de Bolso do TEUC, um dos parceiros do projecto. A estreia e a temporada inaugural (apenas 3 dias) acontecerão no TCSB, entre 16 e 18 de Novembro. Os bilhetes custam entre 5 e 10 Euros e também já podem ser comprados ou reservados.
SÁBADOS PARA A INFÂNCIA: MÚSICA E DANÇA PARA PAIS E FILHOS, ARTES VISUAIS E CONTOS

