


No maio de agora, os estudantes em marcha nas ruas brasileiras novamente me levaram ao maio de 1968 em Paris. Uma população de mais de dois milhões de pessoas protestando contra a (des)educação governamental – a idiotice, as rasas palavras ditas aos pulos, a gagueira de quem não consegue sequer ler no teleprompeter –, todo esse vexame de um inacreditável Capitão Talkei, subestimando tudo isso e chamando os estudantes de “idiotas úteis” e “massa de manobra”. Acresce o termo “balbúrdia” ressuscitado pelo ministro “Kfata”, que de certa forma faz coro com o “chienlit”, aquele “carnaval” com que Charles de Gaulle estigmatizou os estudantes parisienses em 1968. Mas fica nisso, pois o tacanho ministro está longe da, vá lá, perspicácia do velho Marechal.
É pra lá então, para maio do ano passado – quando vi as manifestações dos 50 anos de 68 na França – e para outros tempos mais amenos em Paris, que nos leva a minha crônica de hoje, que pode ser lida em meu blog, link a seguir. De quebra, dois depoimentos de meu amigo, o poeta português Nuno Rebocho, que em 1968 estava preso na cidade do Porto nos temíveis tempos da Pide. A exemplo do “Il est interdit d´interdire” e dos muitos outros slogans grafitados nos muros da cidade, entra também em cena a “Paris Canaille”, a Paris proibida daqueles tempos em que era proibido proibir, agora amenizados pelo belo desenho de luzes à la OP ART, delineando como num “trompe-l´oeil” as curvas esplêndidas das dançarinas do Crazy Horse.
https://ronaldowerneck.blogspot.com/2019/05/paris-proibida-viva-imaginacao-no-poder.html
