Muito mais mortíferas do que o Coronavírus que nos corrói a alma, mais ainda do que o corpo, são as cada vez mais alarmantes alterações climáticas em curso no planeta Terra. A uma velocidade que começa a ser estonteante. Enquanto as populações do conjunto dos Estados do mundo com o que mais se preocupam, neste início do mês de março 2021, é se vamos, sim ou não, ter verão nas praias do país e do estrangeiro e se vamos voltar a ter enchentes de turistas, agora, munidos de ‘passaporte-vacina’, para, desse modo, voltar a recuperar a Economia do Capital e garantir, assim, a quem para ele trabalha, as magras ou menos-magras migalhas que caem da mesa dos Bancos dele. Sem nunca percebermos que, se o Capital nos dá cinco ou dez, os outros noventa e cinco ou noventa dos cem produzidos, são para ele. De modo que ele cresce e quem para ele trabalha diminui. Sobretudo, em Humano sororal. Até acabar uma mercadoria mais.
Não no-lo dizem, nunca no-lo dirão, mas a verdade é que, até o coronavírus é criação do Capital e da sua economia de mercado que não tem alma, ainda que tenha deus, o Dinheiro, para ela o único valor supremo e absoluto, ao qual todos os outros valores devem submeter-se. Ou deixarão de figurar nas notícias dos seus grandes media. Sinal inequívoco de que são valores sem valor de Mercado. E, como fora do Mercado, não há salvação – é o próprio Mercado, suas religiões-igrejas e seus sacerdotes-pastores que no-lo garantem – todos os outros valores sem valor de Mercado, como a Liberdade e a Verdade Praticada, mai-la Sororidade e a Comensalidade, a Partilha dos frutos da Terra e o ar que respiramos estão aí, cada dia que passa, a cair aceleradamente em desuso. E de tão encandeados que vivemos neste tipo de mundo do Poder financeiro, nem vemos que sem esses valores sem valor de Mercado, simplesmente perecemos.
As próprias gerações nascidas neste terceiro milénio – um milénio com tudo para poder ser um novo big-bang, agora de cariz definitivamente Humano sororal e religado ao modo dos vasos comunicantes – estão a ver-se brutalmente atropeladas pelo Coronavírus. Desse atropelamento, fazem parte os sucessivos e escandalosos Estados de Emergência que trazem com eles toda a tribulação que o compulsivo confinamento em casas programadas para se dormir, não para se viver nelas 24 horas sobre 24 inevitavelmente produz. Uma tribulação alimentada por ruidosas disputas entre gerações, lutas fratricidas e consequentes desorientação e desmotivação. Impossível, em ambientes tão pesados, alimentar a alma, corroída, cada dia que passa, pelo Coronavírus e seu respirar cada vez mais envenenado e mortal.
A juntar a toda esta destruição humana, é imperioso recordar que, há mais de um ano, somos bombardeados ao segundo pelas notícias das vítimas do Coronavírus. E nestes últimos dias, também pelas ‘sensacionais’ notícias da NASA, emitidas por um robô directamente de Marte. Prova provada de que o Capital, incontrolável glutão, ainda não destruiu definitivamente a Terra – quase só nos falta cairmos todos no Abismo sem regresso – e já se prepara para invadir, ocupar e esventrar o planeta Marte. É da natureza dele, matar, roubar, destruir. Sem que ninguém possa decapitá-lo, a não ser na Mente cordial de cada uma, cada um de nós, uma opção fecunda e exemplar, mas manifestamente insuficiente neste tipo de mundo do Poder, seu Mercado, suas religiões e igrejas. Facínoras, todas, todos, mas abençoados por tudo quanto é sacerdote-pastor e pelo seu deus, o Dinheiro.
Importa, entretanto, sublinhar, a concluir, que de modo algum tudo isto é obra do acaso. Pelo contrário, é cientificamente programado para ser assim.. Ou o Capital não tivesse ao seu incondicional serviço os melhores cérebros de cada nova geração que vem ao mundo, garantidamente formatados por ele, sob o disfarce de grandes e renomadas Universidades. Disponíveis, por isso, todos eles, para o servirem incondicionalmente. E sem quaisquer escrúpulos de ordem moral e ética, tudo valores sem valor de Mercado.
Pelo que as alterações climáticas, muito mais mortíferas do que o coronavírus, bem podem continuar aí a agravar-se que os povos das nações, vítimas desse agravamento, continuarão a não ser politicamente mobilizados para as combater. Em vez disso, continuarão a ser perfidamente anestesiados pelos sonantes e bem elaborados discursos do secretário-geral da ONU, António Guterres, candidato a mais um mandato de 5 anos, e pelos discursos moralistas e hipócritas do papa Francisco, jesuíta argentino, actual chefe do Estado mais tenebroso do mundo, o Vaticano.
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