“SALGUEIRO MAIA – DAS GUERRAS EM ÁFRICA À REVOLUÇÃO DOS CRAVOS” DE MOISÉS CAYETANO ROSADO por Clara Castilho

O livro “SALGUEIRO MAIA – Das Guerras em África à Revolução dos Cravos” é de autoria de Moisés Cayetano Rosado,  uma co-edição das Edições Colibri, Associação 25 de Abril e Associação Salgueiro Maia. Foi publicado em espanhol, pela Fundação Caja Badajoz, tem tradução de um dos Capitães de Abril, e  hoje Comandante Carlos de  Almada Contreiras.

Tem um prefácio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com texto da sua comunicação na abertura da Casa da Cidadania Salgueiro Maia, em Castelo de Vide. Tem posfácios do Tenente Coronel Vasco Lourenço e do Coronel João Andrade da Silva.

O autor, Moisés Cayetano Rosado, há muito é colaborador deste blog, a sua apresentação e os seus contributos podem aqui ser consultados. Tem participando na organização de inúmeros eventos literários e culturais em Portugal.  Segundo o autor, este seu mais recente livro resulta de um intenso esforço, pesquisa vária, entrevistas, como se pode apreciar da longuíssima bibliografia.

O livro teve o seu primeiro lançamento a 7.7.2021, na abertura da Casa da Cidadania Salgueiro Maia. O mais recente foi na Casa dos Livros, a 19 deste mês, de que juntamos fotografias. 

A parte “Tragédia, treze anos de guerras coloniais” traz-nos uma análise, baseada em documentos, que explicam o Movimento das Forças Armadas.  Prossegue-se com a “Revolução dos Cravos” e os “Os desencontros entre o 11 de março e o 25 de Novembro”. Pelo meio se analisa o que falhou nos três D’s do Movimento das Forças Armadas: Descolonização, Democratização e Desenvolvimento que não foram totalmente cumpridos.

A figura de Fernando Salgueira Maia acompanha todos os acontecimentos. Podemos ficar a conhecer os seus ideais, o seu carácter reto e as perseguições de que foi alvo, o percurso de estudos universitários, as colocações militares posteriores.

O Tenente Coronel Vasco Lourenço,  explica:

“No seu percurso, Salgueiro Maia foi, muito naturalmente, “vítima” de um feitio muito especial: militar disciplinado, respeitador da hierarquia, não  querendo arvorar-se em herói, mas incapaz de evitar e fugir ao grande prestígio e à enorme popularidade que granjeou entre os seus camaradas e, acima de tudo, entre a população. O que, diga-se a verdade, não o incomodava nada, mas lhe criava invejas e ciúmes no seio de militares, nomeadamente nos seus “superiores” hierárquicos, que ele próprio ajudara a lá colocar.

[…] A decisão do Primeiro Ministro Silva foi a do indeferimento, a da não concessão da pensão (de “serviços relevantes”). Isto enquanto deferia a pensão em causa a dois agentes da tenebrosa PIDE/DGS, devido a serviços prestados na guerra colonial.

Salgueiro Maia reservaria para o momento em que partisse definitivamente a sua última provocação: na carta que deixou como testamento, deixou o pedido de que, no seu funeral, lhe cantassem a Grândola Vila Morena e o Hino do MFA.”

Nas palavras do próprio Salgueiro Maia, em 1988, em entrevista a Fernando Assis Pacheco: “deploro que tendo nós realizado um ato ímpar – pela primeira vez na História da Humanidade, uma força militar realiza uma ação de destruição de um poder sem se apropriar desse poder –  isto que em todos os países é relevante, passa aqui pura e simplesmente despercebido, ou então, ao contrário, serve de base para sermos marginalizados, quando não tratados como traidores à Pátria”. Lamenta ele e lamentamos nós.

Numa altura em que se começaram a assinalar os 50 anos da Revolução de Abril, convém ter presente tudo o que sonhámos, tudo por que lutámos, tudo o que ainda estamos dispostos a defender. E este livro muito contribui para isso. Obrigada a Moisés Cayetano Rosado e a todos os que colaboram no livro. Obrigada ao editor. Fernando Salgueiro Maia não será esquecido. A Revolução dos Cravos continua a ser aquele acontecimento único,  irrepetível e que ainda nos pode inspirar.

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