Hoje, Domingo, com mais tempo de roupão, manhã prolongada, almoço tardio e alguma preguiça, talvez haja ainda 18 minutos disponíveis de vida para ver/ouvir esta peça histórica e única e assombrosa e avassaladora – a partir de um mais que clássico e curto standardde duas partes (“Take the A Train”, Billy Strayhorn/Duke Ellington) aqui insolitamente demonstrado por vários deuses da Música e ainda por uma tapdancer fora de tudo – quase que de Fred Astaire e Gene Kelly…
Alguns deles (o baixo e o bateria) são nossos conhecidos (Emmet Cohen’s) só que desta vez quase irreconhecíveis, mais bem vestidinhos e sem os habituais e folclóricos adereços.
Tudo começa com um namoro musical, discreto mas cúmplice entre o pianista e a tapdancer, prolonga-se por um inconcebível sax alto, por um trompete irritantemente bom e finalmente por um piano impossível, que deixa toda a gente em estado de (bom) choque – isto enquanto nos curtos intervalos ela descansa, voltandoaoataque nos chorus seguintes, cada vez mais intensa e inverosímil e impossível.
Não sei se alguém terá reparado que ela age como um músico de Jazz, inclusivamente “toca” e improvisa o tema como qualquer deles – ou seja, se alguém (poucos, muito poucos, infelizmente) o seguisse, ao tema – e não custa nada, acreditem – ficaria realmente maravilhado.
A Música é assim – a boa, claro. Não é uma coisa de caras e da treta. Dá trabalho a compreender, a interpretar, a interiorizar – e portanto a gostar.
Claro que não é impunemente que nos últimos 40 a 50 anos se passou a vida nisto, nesta aprendizagem. Que o digam os alguns que aqui me secundam e acenam que sim, nem que mentalmente seja.