“Danças da Morte são um tema de enorme extensão, e que atravessa vários territórios literários, participando em inúmeras manifestações artísticas que integram o teatro, a música, a dança, o folclore e outros fenómenos artísticos e sociais. Apesar de ainda hoje haver poucas certezas quanto à sua origem e desenvolvimento, pode dizer-se que chegou a invadir todo o fim da Idade Média na Europa, e foi um exemplo de transmissão cultural sem precedentes, saltando de país em país, estabelecendo relações e influências entre artistas, poetas e criadores…
DANÇA: O ESCONJURO DA MORTE[1] (Referências históricas)
A Dança da Morte, é uma sequência de texto e imagens presidida pela Morte como personagem central – geralmente representada por um esqueleto, um cadáver ou um corpo vivo em decomposição – e que, numa atitude de dança, dialoga e arrasta um a um uma série de personagens que representam habitualmente as diferentes classes sociais.
O tema da morte, inevitável, que a todos atinge, independentemente da sua condição social, poder, força, conhecimento, sexo, idade ou méritos, é uma ideia amplamente expressa a partir do século XII. No entanto, a Dança Macabra como género literário, coreográfico e dramático, nasce provavelmente em resposta à epidemia que assolou a Europa desde 1347: a peste pneumónica ou bubónica que todos levava, fosse qual fosse o seu estatuto, condição ou idade. Estende-se por toda a Europa, principalmente nas terras com porto, sendo os mares e os rios a via de contágio, morrendo em dois anos um terço da população. Neste contexto de psicose colectiva, num clímax chocante em que a vida está constantemente ameaçada, o tema da Dança Macabra destaca-se. O facto é que a partir de 1380 a iconografia macabra atinge uma dimensão até então nunca alcançada e a arte da morte se transforma profundamente: aparecem a desolação, os vermes, a nudez do cadáver, o aspecto torturado, o apodrecimento da carne, numa complacência mórbida desconhecida à tradição cristã.”
Notas:
(1) Fragmento extraído de: MASSIP, Francesc y KOVÁCS, Lenke: “El baile: conjuro ante la muerte. Presencia de lo macabro en la Danza y la Fiesta Popular”, Ciudad Real, CIOFF España, 2004.
(2) Luciano de Samósata (125 em Samósata, na província romana da Síria, e morreu pouco depois de 181, talvez em Alexandria, Egito). De certo, pouca coisa se sabe a respeito de sua vida, mas o apogeu de sua atividade literária transcorreu entre 161 e 180, durante o reinado de Marco Aurélio.








