JORGE CASTRO GUEDES – QUANDO O RIDÍCULO NÃO MATA, MAS MÓI…

 

Não fosse poder configurar mesmo um crime de usurpação de poderes, com que a Dona Lucília se devia preocupar, e só daria para fazer cair de riso o edil. Imiscuir-se no ordenamento jurídico que separa a administração central do poder local, não é uma carolice. Ou ‘carlorice’, devo dizer?

O presidente da câmara municipal de Lisboa, depois de querer pôr a Polícia Municipal a prender cidadãos – se calhar para pôr ‘os moedinhas’ a levarem de cana os condutores rebeldes que não obedecem aos ditames do estacionamento – irá prosseguir na sua safra de imitação do tio Adolf, reclamando a chefia da Região Militar de Lisboa? E, depois, que mais se seguirá? Alguma rebelião a parir da Cervejaria da Trindade? Ou recuperar a Lei de ser proibido o uso do isqueiro fora de telha? Ou de Telheiras, quiçá!

Há mesmo quem diga que o homem que faz recair sobre a capital o riso do resto do país, já sonha em emitir moeda, com a sua imagem e em paridade com o Reichmarke. Mas, felizmente para todos nós, numa farsa histórica de como aquela que diria Engels: a História repete-se, da primeira vez como drama e da segunda como farsa. Ou algo assim do género.

Dir-se-á que a insensatez não merece muito mais do que isto. E que antes uma boa rajada de gargalhadas à rajada de uma metralhadora para atingir o pequeno comediante autarca. Talvez sim, talvez não. Mas como a Democracia é para levar a sério, talvez quem devesse pronunciar-se sobre este pronunciamento fosse o senhor de Belém, tão interventivo com as outras moedas do orçamento.

 

Castro Guedes

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