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Não entender
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
O texto está presente na publicação A descoberta do mundo e traz uma reflexão sobre o entendimento do mundo e a capacidade da autora (e de todos os leitores e leitoras) de compreensão dos segredos que cercam a existência humana.
Podemos relacionar tais reflexões clariceanas com a célebre frase “Só sei que nada sei”, atribuída ao filósofo grego Sócrates, na qual a ignorância é valorizada como um gesto de simplicidade intelectual.
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