Muitos passos já havíamos dado, individualmente, passos de vida, de procura, de exercício de pensamento. Isso permitiu-nos iniciar o caminho do MAI na exposição do Centro Penitenciário de Pereiro de Aguiar, em Ourense. Como consequência, dentro das muitas consequências sentidas mais ou menos conscientemente, colocou-se-nos uma primeira interrogação, já patente em muitos anos da existência de cada um de nós: seria que todos sentíamos essa necessidade de comunicação, destino credível de uma “Obra de Arte”? Seria este o motor do MAI, a seiva capaz de fazer de todos os fenómenos culturais fenómenos de comunicação? Seria o verdadeiro destinatário a satisfação de caprichos e vaidades ou o ser humano, como interpretante do magnífico processo de significação da vida?
O MAI, ciente da riqueza e dos perigos da aventura, expôs pela segunda vez em Balmaseda, Bilbao, na Sala de Exposições de Santa Clara, na comemoração dos oitocentos anos do nascimento desta povoação. Com alguma inclinação para considerar a Arte como linguagem, após esta segunda exposição, submetida, ainda que subconscientemente, à crítica pessoal e do grupo em geral, aventurámo-nos mais profundamente no campo do pensamento e da acção. Decorrendo da forma de estar nesta magnífica aventura, começamos lenta e progressivamente a acreditar que a Obra de Arte deve mediar um significado suprapessoal e começámos a perceber que a definição do gosto e da apreensão artística em geral cabem à estética propriamente dita, sendo a “Ciência da Arte” o campo dos problemas técnicos e teóricos. Dentro deste espírito, realizámos a terceira exposição no Castelo de S. João da Foz, no Porto, com a participação de dois artistas bascos, onde a natureza, magnífico parente na genealogia da arte, nos ajudou com esplendor. Sol e mar, grandes obreiros da qualidade estética, emprestaram a esta exposição uma especial poesia.
O “desencapsulamento” da vida e da nossa identidade, no sentido de que estes se processem a escalas cada vez mais elevadas da pesquisa artística, parece ter sido o que sentimos aquando da quarta exposição do MAI, na magnífica Sala da Caixa Ourense, seguida de outra no belo edifício Siméon da mesma cidade. Muitas outras se seguiram por esse Portugal fora e também em Espanha, nomeadamente em Madrid, na Corunha, Vigo, Monforte de Lemos e mesmo em Pau, em França.
Os anos foram passando, as idades foram-se inexoravelmente dilatando, e o MAI foi-se diluindo no tempo até permanecer eterno apenas nas nossas memórias.
Ao fim deste percurso, que nunca pretendemos aureolar de arranjos curriculares, ter-nos-á ficado a sensação e a ideia de que uma obra artística é um jogo e uma vida artística é um jogo de vida, no qual o artista instaura livremente valores e opostos, com total soberania, com muitas interrogações, mas sem respostas a dar ou a esperar, elegendo como resultado, apenas, a criação de uma linguagem privilegiada que procura desvendar na mensagem da vida a dimensão mais ampla e profunda do ser humano.