ADÃO CRUZ – REFLEXÃO SOBRE A DESISTÊNCIA

Por cada cabelo branco que nasce há, provavelmente, uma ou mais células cerebrais que se consomem. É a lei da vida. Por esta lei da vida desconfio que possa haver, em muitos homens e mulheres, algum grau de displasia e degenerescência na sua admirável capacidade de pensar. O sinal desta desconfiança reside, a meu ver, naquilo que me parece ser alguma instabilidade e algum desacerto no fio-de-prumo do seu intocável carácter.

Dá ideia de que os neurónios, cansados de tanto pensarem bem, como aconteceu tantas vezes na sua vida e em muitas das suas intervenções, levam muitos homens e mulheres a desmobilizarem-se e a demitirem-se, por vezes, do rigor funcional que lhes é exigido. Há muita gente ansiosa por pendurar a tabuleta a dizer “Cheguei até onde pude”. Por vezes não querem parar um pouco para descansar, pensar e entender que esta viagem não tem fim, é a viagem da dignidade humana, da infindável curiosidade e descoberta, e qualquer fictícia chegada arruma a pessoa para fora da única vida que ainda vale a pena viver. Parar não é uma decisão muito compatível com o ser humano determinado na procura da verdade.

 

Leave a Reply