
É inútil realçar o fenómeno literário que foi Clarice Lispector. Temos é que ler o que ela nos deixou, e lidar com o espanto. O conto que se segue será um conto de Natal. Mas trata-se de uma história humana, de uma mulher aprisionada no seu corpo? Ou um conto fantástico, sobre seres ora divinos, ora humanos? Os nossos leitores dirão. Faz parte de uma série de 13 contos, intitulada A Via Crucis do Corpo, que saiu pela primeira vez em 1974, pelo que conseguimos apurar, pela mão da editora Artenova, a quem cumprimentamos e pedimos a maior compreensão por publicarmos hoje, aqui, este conto. A ela e a todas as outras editoras que publicaram Clarice Lispector, a uma das quais fomos buscar este conto, mas cujo nome, por traiçoeiro esquecimento e falha nas nossas anotações, não conseguimos recordar, os nossos agradecimentos e felicitações pelo seu bom gosto. Se abusamos, apresentamos já aqui as nossas humildes desculpas.
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