Desde os tempos do fascismo que me habituei a palmilhar os caminhos da esperança. Depois do 25 de Abril estes caminhos alargaram-se e fizeram-se avenidas, rios e mares. Mares de sonho. Não demorou muito a que os predadores da esperança voltassem e se reproduzissem como coelhos. E a erva daninha da desesperança começou a crescer nos prados verdes da minha vida. Sobretudo a desesperança num povo que continuava adormecido, anestesiado, inculto, incapaz de reconhecer, minimamente que fosse, o seu verdadeiro inimigo: o poder dos que tudo mandam, o poder dos que tudo roubam, o poder dos desavergonhados, o poder da desfaçatez e da imoralidade, o poder aniquilador do desenvolvimento mental, político e social, acolitado pelo obscurantismo de uma igreja que nada mais fez e nada mais faz do que rezar e tentar transformar as pessoas num rebanho de obediência e mansidão. Hoje em dia, dificilmente alguém poderá invocar a ignorância acerca dos crimes que enlameiam todas as políticas defensoras da exploração capitalista, dos branqueamentos do dinheiro roubado ao povo, dos negócios sujos, do contrabando de divisas extorquidas ao trabalho de uma nação inteira. Dificilmente alguém poderá invocar a ignorância, mesmo quando tais políticas proclamam aos quatro ventos que são santas, como acontece hoje e sempre aconteceu. No entanto, inexplicavelmente, ainda há muitas vítimas que defendem os agressores. Que defendem as medidas de governos/desgovernos, que mais não fazem do que mostrar que aquilo que deveria ser o braço político e executivo da justiça social é, afinal, um braço-de-ferro com o País. Ou seja, em vez de lutarem com e pelo País, lutam contra ele. São exemplos a já longa e progressiva destruição do SNS, em favor da industrialização da medicina e da assistência médica, a aniquilação da educação pública com todas as nefandas consequências que todos conhecemos, a secundarização da cultura social a todos os níveis, de modo a eliminar o principal obstáculo à massificação da ignorância e do pensamento raso e único, e a sua substituição por uma metacultura elitizada nas mãos do dinheiro. Tudo isto configurando, a nível nacional e mundial, as grandes armas da exploração e do apagar das consciências.
Tenhamos ainda alguma esperança. Alguma esperança de que o braço-de-ferro venha um dia a ser com um povo lúcido, consciente e concreto e não com um povo abstracto e amorfo. Ninguém com dois dedos de testa se pode rever nas políticas autistas e agressivas destes governos, compostos por tecnocratas neoliberais sem ponta de competência, de dignidade, de carácter, de credibilidade e sensibilidade e que sempre espezinharam o sentido da palavra social. Teremos de fazer tudo o que é possível para não aceitarmos a ideia de que os portugueses são uns paspalhos mansos que acatam todas as austeridades e injustiças como favores. Aprendermos a pintar de um branco leite de sabedoria social o escuro, denso e borralhento café economicista e neoliberal dos Governos faz a diferença e permite confrontá-los com Um pingo… de vergonha.
Caro Adão!
O teu relato expõe as mazelas que as câmeras de políticos trabalham para escravizar a todos de Norte a Sul e de Leste à Oeste deste mundo que vivemos.
Caro Adão!
O teu relato expõe as mazelas que as câmeras de políticos trabalham para escravizar a todos de Norte a Sul e de Leste à Oeste deste mundo que vivemos.