As sílabas marginais/as pálpebras aconchegam-se sob as asas/Nelson Ferraz

 

as pálpebras aconchegam-se sob as asas

de uma orquídea que ficou no último canto das pupilas.

 

um junco adormece algures escutando a respiração da seiva.

o silêncio, de olhos fechados, estende-me as mãos.

 

dou-te a minha solidão e a melodia que baloiça na cabeça.

dou-te o meu sítio, a minha casa, a minha paz.

dou-te este abrigo para o desassossego da idade.

 

em troca, fica nesta infância onde o musgo é um astro.

e, se quiseres, poderemos dançar.

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