as pálpebras aconchegam-se sob as asas
de uma orquídea que ficou no último canto das pupilas.
um junco adormece algures escutando a respiração da seiva.
o silêncio, de olhos fechados, estende-me as mãos.
dou-te a minha solidão e a melodia que baloiça na cabeça.
dou-te o meu sítio, a minha casa, a minha paz.
dou-te este abrigo para o desassossego da idade.

