O nome de Gianni Berengo Gardin (1930-2025), um dos maiores fotógrafos italianos do século XX, não é novo nas nossas Cartas de Veneza; bem pelo contrário, surgiu logo na primeira desta série, com a menção das suas imagens de denúncia do impacto dos navios de cruzeiro e do turismo descontrolado em Veneza. Faleceu em Génova no dia 6 de agosto, com 94 anos de idade, deixando uma marca indelével.
Berengo Gardin, nascido em Santa Margherita Ligure, considerava Veneza a sua verdadeira cidade natal, sendo a cidade de origem do pai, a sede da universidade onde escolheu formar-se e o local onde brotou a sua paixão pela fotografia. Veneza – a cidade e os seus habitantes – é o sujeito que, mais que outros, decidiu contar através das suas fotografias ao longo de sessenta anos, apesar de ter viajado muito, passando por Roma, pela Suíça, por França, para chegar finalmente a Milão. Nessas viagens, em especial em Paris, teve a oportunidade de privar com grandes fotógrafos franceses, sendo alguns destes fonte de grande inspiração para ele, como foi o caso de Willy Ronis e de Henri Cartier-Bresson.
O primeiro livro que o fotógrafo publicou foi Venise des Saisons (1965), precisamente sobre Veneza, aqui apresentada na sua versão mais íntima. Contudo, o trabalho de Berengo Gardin destaca-se sobretudo pelo seu foco na investigação social, tanto que um dos seus projetos mais marcantes é o ligado aos manicómios, que contribuiu para a aprovação da chamada Lei Basaglia, graças à qual em 1978 em Itália se estabeleceu o encerramento desse tipo de estrutura hospitalar e determinou-se uma viragem histórica em matéria de assistência a doentes psiquiátricos. Mas os temas de cariz social ou cívico abordados por Berengo Gardin em décadas de carreira são variados e incluem o trabalho, o mundo da Olivetti, o universo feminino, a religião.
(Créditos de imagem: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Gianni_Berengo_Gardin_(15987539150).jpg)


