Nota de editor: devido à sua extensão, este texto é publicado em duas partes, hoje a primeira.
Seleção e tradução de Júlio Marques Mota
11 min de leitura
O amanhecer da sociedade pós-letrada e o fim da civilização (1/2)
Publicado por
em 19 de Setembro de 2025 (original aqui)
“O que Orwell temia eram aqueles que proibiriam livros. O que Huxley temia era que não haveria motivo para proibir um livro, porque ninguém iria querer ler um.”
— Neil Postman, Amusing Ourselves to Death
Talvez estejamos prestes a descobrir que não é possível administrar a civilização mais avançada da história do planeta com o aparato intelectual de uma sociedade pré-letrada.
A era da impressão
Foi uma das revoluções mais importantes da história moderna — e, no entanto, não foi derramado nenhum sangue, nenhuma bomba foi lançada e nenhum monarca foi decapitado.
Talvez nenhuma grande transformação social tenha sido realizada de forma tão silenciosa. Esta ocorreu em poltronas, em bibliotecas, em cafés e em clubes.
O que aconteceu foi o seguinte: em meados do século XVIII, um número enorme de pessoas comuns começou a ler.
Nos primeiros dois séculos após a invenção da imprensa, a leitura permaneceu, em grande parte, uma atividade da elite. Mas, no início dos anos 1700, a expansão da educação e uma explosão de livros baratos começaram a difundir a leitura rapidamente pelas classes médias e até mesmo entre os estratos mais baixos da sociedade. As pessoas da época percebiam que algo de grandioso estava a acontecer. De repente, parecia que todos estavam a ler e em todos os lugares: homens, mulheres, crianças, ricos, pobres. A leitura passou a ser descrita como uma “febre”, uma “epidemia”, uma “mania”, uma “loucura”. Como escreve o historiador Tim Blanning, “os conservadores ficaram horrorizados e os progressistas encantados, pois era um hábito que não conhecia fronteiras sociais.”
Essa transformação é às vezes conhecida como a “revolução da leitura”. Foi uma democratização da informação sem precedentes; a maior transferência de conhecimento para as mãos de homens e mulheres comuns na história.
Na Grã-Bretanha, tão só 6.000 livros foram publicados na primeira década do século XVIII; na última década do mesmo século, o número de novos títulos ultrapassava 56.000. Mais de um milhão de novas publicações apareceram em alemão ao longo dos anos 1700. O historiador Simon Schama chegou a afirmar que “as taxas de alfabetização na França do século XVIII eram muito mais altas do que nos Estados Unidos do final do século XX”.
Onde antes os leitores liam “intensivamente”, passando a vida a ler e reler dois ou três livros, a revolução da leitura popularizou um novo tipo de leitura “extensiva”. As pessoas liam tudo o que conseguiam encontrar: jornais, revistas, história, filosofia, ciência, teologia e literatura. Livros, panfletos e periódicos saíam das prensas em grande quantidade.
Foi uma era de obras monumentais de pensamento e conhecimento: a Encyclopédie, o Dictionary of the English Language de Samuel Johnson, Decline and Fall of the Roman Empire de Edward Gibbon, e a Critique of Pure Reason de Emmanuel Kant. Ideias radicalmente novas sobre Deus, sobre a história, sobre a sociedade, sobre a política e até mesmo sobre o propósito e o sentido da vida inundaram a Europa.
Ainda mais importante, a imprensa mudou a forma como as pessoas pensavam.
O mundo da impressão é ordenado, lógico e racional. Nos livros, o conhecimento é classificado, compreendido, articulado e colocado no seu devido lugar. Os livros constroem argumentos, propõem teses, desenvolvem ideias. “Envolver-se com a palavra escrita”, escreveu o teórico dos media, Neil Postman, “significa seguir uma linha de pensamento, o que exige consideráveis capacidades de classificação, formulação de inferências e raciocínio.”
Como Postman destacou, não é por acaso que o crescimento da cultura impressa no século XVIII esteve associado ao prestígio crescente da razão, à hostilidade contra a superstição, ao nascimento do capitalismo e ao rápido desenvolvimento da ciência. Outros historiadores relacionaram a explosão da alfabetização no século XVIII com o Iluminismo, o nascimento dos direitos humanos, a chegada da democracia e até mesmo com os primórdios da revolução industrial.
O mundo como o conhecemos foi forjado na revolução da leitura.
A contrarrevolução
Agora, estamos a viver uma contrarrevolução.
Mais de trezentos anos após a revolução da leitura inaugurar uma nova era do conhecimento humano, os livros estão agora a morrer.
Numerosos estudos mostram que a leitura está em queda livre. Mesmo os críticos mais pessimistas do século XX sobre a era dos ecrãs teriam dificuldade em prever a escala da crise atual.
Nos Estados Unidos, a leitura por prazer caiu 40% nos últimos vinte anos. No Reino Unido, mais de um terço dos adultos afirma ter abandonado a leitura. A National Literacy Trust relata quedas “chocantes e desanimadoras” na leitura entre crianças, que agora está no nível mais baixo alguma vez registado.
A indústria editorial está em crise: como escreve o autor Alexander Larman, “livros que antes venderiam dezenas, até centenas de milhares de cópias agora têm sorte se venderem na casa dos quatro mil exemplares.”
Mais notavelmente, no final de 2024, a OCDE publicou um relatório que constatou que os níveis de literacia estavam “em declínio ou estagnados” na maioria dos países desenvolvidos. Antigamente, um cientista social diante de estatísticas como essas poderia supor que a causa fosse uma crise social, como uma guerra ou o colapso do sistema educacional.
O que aconteceu foi o telemóvel inteligente, amplamente adotado nos países desenvolvidos em meados da década de 2010. Esses anos serão lembrados como um marco na história da humanidade.
Nunca antes houve uma tecnologia como o telemóvel inteligente. Enquanto tecnologias de entretenimento anteriores, como o cinema ou a televisão, tinham como objetivo capturar a atenção do público por um período, o telemóvel inteligente exige a sua vida inteira. Os telefones são projetados para serem altamente viciantes, prendendo os utilizadores num menú de notificações inúteis, vídeos curtos e bobos, e chamarizes de ira nas redes sociais.
A pessoa comum agora passa sete horas por dia a olhar para um ecrã. Para a Geração Z, esse número chega a nove horas. Um artigo recente no The Times revelou que, em média, os estudantes modernos estão destinados a passar 25 anos das suas vidas quando estão acordados a olhar para ecrãs.
Se a revolução da leitura representou a maior transferência de conhecimento para homens e mulheres comuns na história, a revolução dos ecrãs representa o maior roubo de conhecimento dessas mesmas pessoas.
As nossas universidades estão na linha de frente dessa crise. Elas estão agora a ensinar as suas primeiras turmas verdadeiramente “pós-letradas” de estudantes, que cresceram quase inteiramente no mundo de vídeos curtos, jogos eletrónicos, algoritmos viciantes (e, cada vez mais, inteligência artificial).
Porque a omnipresente internet móvel destruiu a capacidade de concentração desses estudantes e restringiu o crescimento dos seus vocabulários, o conhecimento rico e detalhado armazenado nos livros está-se a tornar inacessível para muitos deles. Um estudo com estudantes de literatura inglesa em universidades americanas mostrou que eles não conseguiam entender o primeiro parágrafo do romance Bleak House, de Charles Dickens — um livro que antes era regularmente lido por crianças. [1]
Um artigo publicado na The Atlantic, intitulado “Os Estudantes de Faculdades de Elite Que Não Conseguem Ler Livros”, cita a experiência característica de um professor:
Há vinte anos, as turmas de Nicholas Dames não tinham dificuldade em participar em discussões sofisticadas sobre Orgulho e Preconceito numa semana e Crime e Castigo na seguinte. Hoje, os seus alunos já dizem de antemão que a carga de leitura parece impossível. Não é apenas o ritmo frenético; eles têm dificuldade em prestar atenção aos pequenos detalhes enquanto acompanham o enredo geral.
“A maioria dos nossos estudantes”, segundo outra avaliação desesperada, “é funcionalmente analfabeta”. Isso está em sintonia com tudo o que ouvi nas minhas próprias conversas com professores e académicos. Um professor de Oxbridge com quem conversei descreveu um “colapso na alfabetização” entre os seus alunos.
A transmissão do conhecimento — a função mais antiga da universidade — está em verdadeira desintegração e bem à frente dos nossos olhos. Escritores como Shakespeare, Milton e Jane Austen, cujas obras foram transmitidas durante séculos, já não conseguem alcançar a nova geração de leitores. Eles estão a perder a capacidade de os compreender.
A tradição da aprendizagem é como um precioso fio dourado de conhecimento que atravessa a história humana, ligando leitor a leitor ao longo do tempo. A última vez que ele se rompeu foi durante o colapso do Império Romano do Ocidente, quando as marés bárbaras avançaram sobre as fronteiras, as cidades diminuíram e as bibliotecas foram queimadas ou deterioraram-se [2]. À medida que o mundo da elite educada de Roma desmoronava, muitos escritores e obras literárias desapareceram da memória humana — perdidos para sempre ou redescobertos centenas de anos depois, durante o Renascimento.
Esse fio dourado está-se a romper pela segunda vez.
Uma tragédia intelectual
O colapso da leitura está a provocar quedas em várias vertentes de capacidade cognitiva. A leitura está associada a diversos benefícios cognitivos, nomeadamente melhoria da memória e da capacidade de atenção, pensamento analítico mais apurado, maior fluência verbal e menores taxas de declínio cognitivo na velhice.
Após a introdução dos telemóveis inteligentes em meados da década de 2010, as pontuações globais do PISA — a mais famosa medida internacional de desempenho estudantil — começaram a cair. Como escreve John Burn-Murdoch no Financial Times, os estudantes têm vindo a relatar com mais frequência em sondagens que têm dificuldade para pensar, aprender e concentrar-se. É possível notar o ponto de inflexão característico por volta de meados da década de 2010:
O estudo Monitoring the Future vem vindo a questionar jovens de 18 anos se eles têm dificuldade para pensar, concentrar-se ou aprender coisas novas. A proporção de estudantes do último ano do ensino secundário que relatam essas dificuldades permaneceu estável ao longo das décadas de 1990 e 2000, mas começou a subir rapidamente a partir de meados da década de 2010.
E, como diz Burn Murdoch, estas questões cognitivas não estão restritas às escolas e universidades. Elas afetam todos: “[o] declínio nas medidas de raciocínio e resolução de problemas não se limita aos adolescentes. Os adultos apresentam um padrão semelhante, com quedas visíveis em todas as faixas etárias”.
O caso mais intrigante — e alarmante — é o do QI, que aumentou consistentemente ao longo do século XX (o chamado “efeito Flynn”), mas que agora parece ter começado a cair.
O resultado não é apenas a perda de informação e inteligência, mas um empobrecimento trágico da experiência humana.
Durante séculos, quase todas as pessoas educadas e inteligentes acreditaram que a literatura e o conhecimento estão entre os propósitos mais elevados e as consolações mais profundas da existência humana.
Os clássicos foram preservados ao longo dos séculos porque contêm, segundo a famosa frase de Matthew Arnold, “o melhor que foi pensado e dito”.
Os maiores romances e poemas enriquecem a nossa compreensão da experiência humana ao colocarem-nos imaginativamente dentro de outras mentes e transportarem-nos para outros tempos e lugares. Ao ler não-ficção — ciência, história, filosofia, literatura de viagem — tornamo-nos profundamente familiarizados com o nosso lugar neste mundo extraordinário e complexo que temos o privilégio de habitar.
Os telemóveis inteligentes estão a roubar-nos esses consolos.
A epidemia de ansiedade, depressão e falta de propósito que aflige os jovens no século XXI está frequentemente ligada ao isolamento e à comparação social negativa promovidos pelos telemóveis inteligentes.
Também é um produto direto da falta de propósito, fragmentação e trivialidade da cultura de ecrã, que é totalmente incapaz de atender às profundas necessidades humanas de curiosidade, narrativa, atenção profunda e realização artística.
Mundo sem mente
Este esvaziamento da cultura, do pensamento crítico e da inteligência representa uma perda trágica do potencial humano e do florescimento humano. É também um dos principais desafios enfrentados pelas sociedades modernas. A nossa vasta civilização, interconectada, tolerante e tecnologicamente avançada está fundada nos tipos complexos e racionais de pensamento promovidos pela alfabetização.
Como Walter Ong escreve no seu livro Orality and Literacy, certos tipos de pensamento complexo e lógico simplesmente não podem ser alcançados sem leitura e escrita. É virtualmente impossível desenvolver um argumento detalhado e lógico numa conversa espontânea — o leitor perder-se-ia, perderia o fio da meada, contradizer-se-ia e confundiria a sua audiência ao tentar reformular pontos mal expressos.
Como exemplo extremo, pense em alguém a tentar simplesmente falar sobre uma obra famosa de filosofia. Digamos, as 900 páginas da Crítica da Razão Pura de Kant, o Tractatus de Ludwig Wittgenstein ou O Ser e o Nada de Sartre. Seria impossível fazê-lo. E também impossível ouvir.
Para produzir a sua grande obra, Kant teve que escrever as suas ideias, riscá-las, refletir sobre elas, refiná-las e então retrabalhá-las ao longo de muitos anos, até que constituíssem um todo persuasivo e lógico.
Para compreender adequadamente o livro, é necessário tê-lo à sua frente, para poder reler trechos que não se entende, verificar conexões lógicas e meditar sobre passagens importantes até realmente assimilá-las. Esse tipo de pensamento avançado é inseparável da leitura e da escrita.
O classicista Eric Havelock argumentou que a chegada da alfabetização na Grécia Antiga foi o catalisador para o nascimento da filosofia. Uma vez que as pessoas tinham um meio de registar ideias no papel para interrogá-las, refiná-las e desenvolvê-las, nasceu uma nova forma revolucionária de pensamento analítico e abstrato — uma forma que viria a moldar toda a nossa civilização [3]. Com o nascimento da escrita, formas de pensamento estabelecidas puderam ser desafiadas e aprimoradas. Essa foi a libertação cognitiva da nossa espécie.
Como Neil Postman coloca em Amusing Ourselves to Death:
A filosofia não pode existir sem crítica… a escrita torna possível e conveniente submeter o pensamento a um escrutínio contínuo e concentrado. A escrita congela a fala e, ao fazê-lo, dá origem ao gramático, ao lógico, ao retórico, ao historiador, ao cientista — todos aqueles que precisam manter a linguagem diante de si para que possam ver o que ela significa, onde erra e para onde está a ser levado.
Não apenas a filosofia, mas toda a infraestrutura intelectual da civilização moderna depende dos tipos de pensamento complexo inseparáveis da leitura e da escrita: escrita histórica séria, teoremas científicos, propostas políticas detalhadas e os tipos de debate político rigoroso e imparcial conduzidos em livros e revistas.
Essas formas de pensamento avançado fornecem os alicerces intelectuais da modernidade. Se o nosso mundo parece instável neste momento — como se o chão se estivesse a mover sob os nossos pés — é porque esses alicerces se estão a desfazer debaixo dos nossos pés.
Como o leitor provavelmente já percebeu, o mundo do ecrã será um lugar muito mais turbulento do que o mundo da impressão: mais emocional, mais raivoso, mais caótico.
Walter Ong enfatizou que a escrita esfria e racionaliza o pensamento. Se você quiser defender o seu ponto de vista pessoalmente ou num vídeo no Tik Tok, há inúmeros meios de contornar o argumento lógico. Você pode gritar, chorar e encantar a sua audiência até que ela se renda. Pode tocar músicas emotivas ou mostrar imagens comoventes. Esses apelos não são racionais, mas os seres humanos não são perfeitamente racionais e tendem a ser persuadidos por eles.
Um livro não pode gritar com você (ainda bem!) e não pode chorar. Sem o arsenal de apelos que desafiam a lógica, disponíveis para podcasters e YouTubers, os autores dependem muito mais da razão, condenados a montar os seus argumentos dolorosamente, frase por frase (sinto essa agonia agora). Os livros estão longe de ser perfeitos, mas estão muito mais ligados às exigências do argumento lógico do que qualquer outro meio de comunicação humana já criado.
É por isso que Ong observou que sociedades “orais” pré-letradas frequentemente parecem, aos olhos de visitantes de países letrados, notavelmente místicas, emocionais e antagonistas no seu discurso e forma de pensar [4].
À medida que os livros morrem, parece que estamos a voltar a esses hábitos “orais” de pensamento. O nosso discurso está a colapsar em pânico, ódio e guerra tribal. O pensamento anticientífico prospera nos mais altos níveis do governo americano. Promotores da irracionalidade e de teorias da conspiração, como Candace Owens e Russell Brand, encontram vastas e crédulas audiências online.
Dispostos sobre uma página, os seus argumentos pareceriam absurdos. No ecrã, são persuasivos para muitas pessoas.
A ascensão destes estilos emocionais e irracionais de pensamento representa um desafio profundo para a nossa cultura e política.
Talvez estejamos prestes a descobrir que não é possível administrar a civilização mais avançada da história do planeta com o aparato intelectual de uma sociedade pré-letrada.
(continua)
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Notas
[1] Quando George Orwell relatou, em 1940, sobre um estudo recém-publicado a respeito dos hábitos de leitura das crianças, ele soube que elas estavam a ler “voluntariamente” obras de Charles Dickens, Daniel Defoe, Robert Louis Stevenson, G.K. Chesterton e Shakespeare. Essas crianças, observou ele, tinham “entre 12 e 15 anos e pertenciam à classe mais pobre da comunidade”.
[2] Protesto dizendo que li o meu Peter Brown e aceito que esta é uma caracterização simplista (embora eu espere retoricamente contundente) da parte final da Antiguidade. Mas também acho que as tentativas recentes e na moda de rebatizar a ‘Idade das Trevas’ como ‘Idade da Luz’ podem ser um pouco exageradas. As taxas de alfabetização de facto declinaram no final da Antiguidade.
[3] As pessoas às vezes objetam que Sócrates lamentava a morte da escrita. O argumento detalhado de Havelock, exposto no seu livro Preface to Plato, vale a pena ser lido na íntegra. Um ponto que ele destaca é que o próprio Sócrates foi produto de um clima intelectual já profundamente influenciado pela escrita. Platão, segundo Havelock, foi um ativo opositor dos modos de pensamento pré-literados.
[4] Isso não quer dizer que sociedades letradas sejam “melhores” ou mais inteligentes do que sociedades orais. Como escreve Ong, as sociedades orais são capazes de feitos de memória que parecem impressionantes para os de fora. Mas é verdade que os hábitos de pensamento letrado parecem ser essenciais para o tipo de civilização avançada e complexa em que vivemos.
O autor: James Marriott é colunista do The Times e escritor do Cultural Capital. É licenciado em Humanidades e Ciências Sociais, Literatura inglesa pela Universidade de Oxford.








