Espuma dos dias — O plano de paz de Trump para Gaza não funcionará, é um ultimato sob um genocídio. Por Finian Cunningham

Seleção e tradução de Francisco Tavares

2 min de leitura

O plano de paz de Trump para Gaza não funcionará, é um ultimato sob um genocídio.

 Por Finian Cunningham

Publicado por  em 9 de outubro de 2025 (original aqui)

 

 

O chamado plano de paz apresentado pelo presidente dos EUA, Trump, é inviável e não funcionará, segundo o especialista em direito internacional Alfred de Zayas. O Professor Alfred de Zayas ensina direito internacional e história na Escola de Diplomacia de Genebra. Ele trabalhou como especialista em Direitos Humanos da ONU durante quase 50 anos.

O seu último livro é The Human Rights Industry (Clarity Press, 2023), veja aqui. Pode ver os recentes artigos sobre questões internacionais abrangentes em Counterpunch.

 

O chamado plano de paz apresentado pelo presidente Trump dos EUA é um não-começo que não funcionará, segundo o especialista em direito internacional Alfred de Zayas.

De Zayas afirma que a iniciativa muito alardeada de Trump não é uma oferta de paz. É um ultimato exigido por regimes criminosos e fora da lei que são responsáveis pelo genocídio – os Estados Unidos e Israel.

O professor De Zayas aponta que Donald Trump e Benjamin Netanyahu de Israel não têm credibilidade. Ambos são cúmplices do genocídio dos palestinianos. A própria ideia de Trump de propor um acordo de paz no meio de um massacre em massa apoiado pelos EUA, onde não há um processo de acusação legal contra os perpetradores do genocídio, nem pela ocupação ilegal da terra palestina, e inúmeros outros crimes de guerra, é grotesca e absurda.

A nomeação do ex-líder britânico Tony Blair para supervisionar o “plano de paz” de Trump em Gaza é outro insulto.

“Ele deveria estar preso como um criminoso de guerra,” diz De Zayas, referindo-se ao papel de Blair no lançamento da guerra anglo-americana no Iraque em 2003, com base em mentiras, que matou mais de um milhão de pessoas.

Sobre a questão de Gaza, o problema é que Israel, com o apoio dos EUA e de estados europeus, tem violado grosseiramente a lei internacional e tratados da ONU durante décadas, com impunidade. Essa vergonhosa falta de responsabilização e aplicação da lei internacional torna Israel e os seus patrocinadores ocidentais regimes criminosos. É um absurdo esperar que tais violadores em série agora proponham um acordo de paz quando não foram responsabilizados por toda uma lista de crimes.

De Zayas diz que precisamos urgentemente de um cessar-fogo em Gaza, com ajuda humanitária massiva para uma população que está a ser deliberadamente levada à morte por fome por Israel. Mas qualquer resolução deve ser aplicada de acordo com a lei internacional e a justiça pelos crimes horríveis.

O plano de Trump é uma tentativa branquear o genocídio. Os grandes meios de comunicação ocidentais também são culpados por encobrirem a profundidade do horror. Estes grandes media estão ridiculamente a apresentar a oferta de Trump como genuína e credível, talvez com alguns defeitos minimizados aqui e ali. Os media não estão a noticiar o verdadeiro horror e a cumplicidade ocidental no genocídio. Isso porque o seu papel de longa data é servir como um serviço de propaganda para branquear os crimes e a ilegalidade sistemática dos regimes fora da lei ocidentais.

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Finian Cunningham é um antigo editor e escritor para as principais organizações noticiosas. Tem escrito extensivamente sobre assuntos internacionais, com artigos publicados em várias línguas. É licenciado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico para a Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir uma carreira no jornalismo. É também músico e compositor. Durante quase 20 anos, trabalhou como editor e escritor nas principais organizações de comunicação social, incluindo The Mirror, Irish Times e Independent. Vencedor do Prémio Serena Shim para a Integridade Incomprometida no Jornalismo (2019).

 

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