este é o palácio onde reside a fantasia. digo-o pelo desejo
de permanecer tranquilo. este é o palácio edificado
pela forma como escrevo o corpo diferente dos anos.
pego nele com a delicadeza das harpas
e protejo-o com a força das palavras que são muralhas
de claridade.
e falo comigo, falo com o meu silêncio porque não sei explicar
as árvores que nascem ali na estante entre os livros.
explico apenas a música que sopra na largueza das sílabas
porque este é o palácio que me abraça e cura.
casa dentro da casa.
repito a gratidão de olhos para a janela
e dou-me a mão inclinado para o meu rosto de vidro
até que surja um sorriso desembaciado.
palácio. casa. refúgio.
terra onde as aves tristes reaprendem a alegria
do voo.


