O Prémio Campiello é um dos mais prestigiados prémios literários italianos, tendo sido criado em 1962 por iniciativa dos industriais do Véneto e dedicado à narrativa italiana. O seu nome evoca o espaço veneziano denominado “campiello”, uma espécie de praceta, ponto de encontro e espaço de vida pública. Uma das particularidades deste prémio reside no sistema de seleção: um júri de especialistas seleciona cinco finalistas, enquanto o vencedor é escolhido por um júri composto por trezentos leitores com idades, profissão e localização geográfica diferentes.
O Prémio Campiello, ao longo de 64 anos de vida, tem promovido tanto autores consagrados como novos talentos. Entre os nomes mais relevantes da literatura narrativa italiana que já foram galardoados surgem Primo Levi (1963 e 1982) Giuseppe Berto (1964), Ignazio Silone (1968), Giorgio Bassani (1969), Mario Soldati (1970), Mario Rigoni Stern (1979), Dacia Maraini (1990), Antonio Tabucchi (1994), entre outros.
O prémio de 2026 acaba de ser atribuído ao escritor, dramaturgo e encenador Marcello Fois por L’immensa distrazione (A imensa distração), um romance com ambição de ser um “clássico”, onde a memória ocupa um lugar proeminente na reorganização do passado, fundamental para compreender o próprio presente. Nas palavras do autor, escrever este livro na sua idade foi algo como “fazer um balanço de tudo: perceber de que lado se está, em que situação se está, perceber que escrever é um ofício extremamente difícil e que há muito para dizer e muita gratidão por este mundo”. Durante a premiação, Marcello Frois fez questão de dirigir um agradecimento especial foi dirigido a outra escritora, falecida em 2023 e natural da Sardenha como ele, “uma mulher lindíssima e resiliente: Michela Murgia”, que os leitores portugueses já têm a oportunidade de conhecer através das suas traduções. Talvez o prémio Campiello também estimule a publicação em Portugal das obras de Marcello Fois, que, por enquanto, ainda se mantém inédito em português.