Há alguns dias, o nosso editorial divulgava excertos de uma escriturança de um tal Carlos Peixoto, advogado (!?) e deputado do PSD – indubitavelmente oriundo da casta Y de um afinal existente “Brave New World”, que se acreditava ter Aldous Huxley apenas inventado – sobre o nado-morto conceito de “peste grisalha”. Não vou repetir os pertinentes comentários, contidos no mesmo editorial, sobre as boçalidades expendidas pelo tal Y a propósito desse nauseabundo conceito.
Porém, como o divertimento é raro nestes angustiados tempos, é mister não limitarmos a fruição da caricata imbecilidade deste Peixoto às suas bolorentas considerações em torno do não-assunto “peste grisalha”. Pois – há que reconhecê-lo – notável é também o cagalhoto que expele sobre o “desaparecimento dos portugueses” e a sua “substituição por imigrantes”. O atrasado mental deve ter (des)conhecimentos históricos que me foram malevolamente subtraídos. E terá feito mal a transição do ideário fascista que, por muito jovem que seja, lhe escorre, em farrapos, da prosa torpe – no qual “éramos todos portugueses, aquém e além-mar” –, para os apertos da redução territorial ao rectângulo europeu e ilhas, com a respectiva população. Mas porém todavia contudo e não obstante, acontece que da dita população já constavam descendentes de originários das ex-colónias africanas, da “Índia Portuguesa”, de Timor, de Macau. E também dos escravos que as cristianíssimas classes dominantes foram “adquirindo”, para seu serviço, ao ritmo das igualmente abençoadas Descobertas e actividades económicas e estatutos sociais subsequentes.
Nesta pátria, fundada pelo filho de um borgonhês e de uma castelhana (ou leonesa, se quiserem), quem terá direito, no sufoco das estreitas meninges do Peixoto, à designação de português? Teremos de recorrer à detecção dos portadores de ADN dos “cro-magnons” que por cá andaram, eventualmente com alguma mistura de “neanderthais”? Ficamos pelos celtas, lusitanos, cinetes e fenícios? Aceitamos ou não os cartagineses e romanos? E os vândalos, suevos e alanos, búrios e visigodos, contam ou não? E os berberes, que constituíam a maioria da moirama que por aí veio, no século VIII, por cá se reproduziu em conhecida misturada com os, então, autóctones e cujos descentes “andem por aí” às cabazadas? E mais alguns que me terão escapado neste breve rol? Há que expulsar esses “imigrantes”? Onde é que colocamos a barreira separadora entre os “verdadeiros portugueses” e os “imigrantes”?
Que havemos de fazer aos descendentes de um tal Listopad (o Peixoto não conhece, qu’ele não sobrevive no “habitat” cultural desta estranha criatura, afoga-se)? Exportamo-los para onde? E a uma namorada que tive, cujos antepassados eram irlandeses, africanos, italianos e sei lá que mais (com magníficos resultados)?
Eis uma angústia que não assalta o Peixoto. Mas descansem, que não é que a criatura não tenha, eventualmente, algumas semelhanças com a espécie humana; é só porque, no estádio de evolução dos primatas em que se integra a sua espécie, tal coisa não cabe no exíguo espaço mental de que dispõe.
Para a inteligência média e as potencialidades de conhecimento e elaboração intelectual do “homo sapiens sapiens” do início deste terceiro milénio, é insofismável que esses imigrantes e seus descendentes, que se integram no país que os acolheu e se hão-de misturar cada vez mais com a população local (cro-magnons, vândalos, celtas, berberes, hindus, da linhagem de ex-escravos…?) são tão portugueses como os anteriores imigrantes. Para alguma coisa o futebol há-de servir: para definir o “tipo característico do português”, basta ver como, em dia de jogo da selecção, o filho já quarentão de um imigrante paquistanês, dono de uma frutaria cá do bairro, se prepara, ansioso, de cachecol “nacional” ao pescoço, para assistir ao prélio com os amigos; ou reparar no colorido entusiasmo da rapaziada de origens étnicas claramente muito diversificadas – que já vai de “escurinhos” (esta é propositada) a uns eslavos deslavados – que festeja a vitória, o apuramento, a passagem na eliminatória!
O futuro, queiram ou não os racistas e xenófobos, será MUITO, MAS MUITO MESTIÇO.
Quanto à “peste grisalha”, ainda ontem uma esclarecida fêmea desta “classe” explicava pacientemente na SIC, ante as dúvidas levantadas pela formatação em “evidências do pensamento dominante” do inteligentíssimo e eticamente irrepreensível jornalista Ricardo Costa (bastólhar pràquela test’alta e erma, pra se ver questáli um dos sumos pilares do sistema) que o problema da maioria das outras criaturas que se sentavam em redor da mesma mesa era acreditarem piamente em que as previsões catastróficas que evocavam eram “uma fatalidade”. E é aí que reside a suposta irresolubilidade de uma igualmente suposta evolução demográfica. A fatalidade reside na “lógica” do sistema económico em que nos enfiaram e no seu suporte ideológico. Fora dessa lógica (tida também por inultrapassável por quem nunca reparou que TUDO, na História da Humanidade, tem por destino… passar à História!) há uma imensidade de soluções possíveis, desde o apoio real às famílias, na sua diferenciação progressiva (emprego assegurado aos progenitores, condições adequadas ao sustento e educação da prole, segurança social pública generalizada e eficaz) à possibilidade de aproveitar, produtivamente, as capacidades intelectuais e a experiência dos mais velhos, cuja subsistência se estende, em plenitude, praticamente ao ritmo do aumento da esperança e DA QUALIDADE de vida, SEM LHES ROUBAR O DESCANSO A QUE TÊM DIREITO, após dezenas de anos de trabalho e contribuição para o desenvolvimento de cada país e da sua economia. Noutro enquadramento ideológico, em que “a economia seja para o homem e não o homem para a economia”, quantos “pestíferos grisalhos” não gostariam de dar o seu contributo produtivo – não imposto! – , em doses mais moderadas (de acordo com os desejos de cada um), devidamente retribuído, definido por tarefas ou com horários muito flexíveis? Mas isso, que poderia ser aprofundado em todas as suas variáveis (e já está a sê-lo, por esse mundo fora, em trabalhos universitários e publicações alarvemente ignoradas pelos Peixotos, pois as propostas de solução não convêm aos interesses instalados), não se compadece com uma estreita e árida perspectiva de um sistema económico que só sobrevive se cada indivíduo comprar um telemóvel de seis em seis meses ou um carro de dois em dois anos, o que, por sua vez, não se harmoniza com acelerada redução do poder de compra dos ansiados consumidores, despedidos pelas mesmas fábricas que pretendem vender os produtos que eles deveriam comprar! Isto, sim, é que é a verdadeira “quadratura do círculo”! Em exposição permanente no Museu dos Espantalhos que Mandam num sistema agonizante.

O Sr. DEPUTADO Carlos Peixoto devia ter vergonha na cara e pedir desulpa a todos os portugueses, incluindo os seus próprios pais! foi a nossa geração que lutou e criou as condições para que ele, e a sua geração de fedelhos mimalhos e mal educados, fossem livres e pudessem ter LIBERDADE até para fazer os mais escabrosos dos comentários acerca das gerações mais velhas. Que contributo é que ele deu para o rejuvenescimento das gerações em Portugal? Que medidas tem tomado o seu governo para incentivar a economia, o trabalho, os salários condignos e, consequentemente o nascimento de crianças? E que pensa ele fazer quando também fizer parte da sua geração peste de cabelos grisalhos? É que o tempo corre num ápice e daqui a uns 10 anos vê-lo-emos, a ele e aos seus comparsas, também de cabelos grisalhos, Mas com uma diferença abissal entre a sua e a minha/nossa geração: não terão aprendido nada a não ser roubar e insulttar, não terao feito nada de útil, não terão deixado nada a não ser miséria e muitos suicídios, não virão a ser conhecidos a não ser, se acaso o forem, como coveiros deste país. Tenha tento na língua, sr. deputado, antes que o a “peste grisalha” se exalte demais e lha corte! O respeito é sinónimo de BOA EDUCAÇÃO, o que, pelos vistos, o sr. não tem!!!
Natércia Fraga
este senhor não foi ou é nao sei… Presidente de camara de Seia?
Este Carlos Peixoto é mais uma peste, igual aqueles que governam Portugal.
Caso este idiota, imbecil, petulante e bronco queira contribuir para aliviar o aumento da „peste grisalha“ , suicide-se. E neste caso contribuía também para aliviar a „epidemia de imbecilidade“ que grassa no nosso País, à qual não escapam sequer os juizes do tribunal de Coimbra que „condenaram por difamação“ o cidadão António Figueiredo e Silva a indemenizar monetàriamente a besta do deputado peixoto.
Caso este idiota, imbecil, petulante e bronco queira contribuir para aliviar o aumento da „peste grisalha“ , suicide-se. E neste caso contribuía também para aliviar a „epidemia de imbecilidade“ que grassa no nosso País, à qual não escapam sequer os juizes do tribunal de Coimbra que „condenaram por difamação“ o cidadão António Figueiredo e Silva a indemenizar monetàriamente a besta do deputado peixoto.