por Rui Oliveira
Em mais um início de semana, de novo não abundam eventos maiores nesta Segunda-feira, 20 de Maio que justifiquem um destaque. Dos restantes, salientaremos três, aproveitando o espaço para recordar COM ATRASO um ou dois acontecimentos marcantes do final da semana que atravessamos.
Assim, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz (Praça dos Restauradores), às 18h desta Segunda-feira, por iniciativa do Ano Brasil em Portugal, há um Recital de Piano de entrada livre pelo jovem pianista brasileiro Ronaldo Rolim, muito elogiado pelo “seu poder interpretativo, brilhante virtuosidade e rica paleta sonora (Wash.College News)”.
Formado na Escola Magda Tagliaferro de São Paulo, transferiu-se para os Estados Unidos (Peadody Institute) onde recebeu o “Pauline Favin Memorial Award in Piano”, e tem actuado internacionalmente, muitas vezes como “Trio Appassionata” formado em 2007 com os colegas do Peabody, a violinista Lydia Chernicoff e o violoncelista Andrea Casarrubios.
O programa do recital compreende :
Chopin – Three Mazurkas, op.63
Chopin – Polonaise-Fantasie em Lá sustenido Maior, op.61
Rachmaninoff – Três Études-tableaux, op. 39 nº 2
Mignone – Três Prelúdios Sobre Temas Canadianos
Santoro – Fantasia Sul-América
Fernandez – Três Estudos em Forma de Sonatina, op.62
Eis a sua interpretação da peça de Rachmaninoff :
Indo ao cinema, no seu Ciclo Comédias Francesas o Institut Français de Portugal exibe nesta Segunda-feira, 20 de Maio, às 19h, a película “Les petits ruisseaux” (França, 2009) de Pascal Rabaté (na foto), conversão fílmica do seu próprio álbum de BD premiado com o “Grand Prix de la Critique Bandes Dessinées 2007”.

Interpretado por Daniel Prévost (Émile), Philippe Nahon (Edmont), Bulle Ogier (Lucie) e Julie-Marie Parmentier (Lena) nos principais papéis, tem a seguinte sinopse :
Émile, septuagenário e viúvo, vive uma reforma tranquila, feita de rituais e calmos lazeres. O instante não existe, a vida corre como o Loire onde pesca regularmente com Edmond, outro reformado.
Um dia, Edmond, depois de lhe ter revelado que tem uma vida amorosa e sexual escondida, morre. Para não se deixar ir abaixo, Émile tenta reencontrar o gosto das coisas. Desejos esquecidos de adolescente, desejos de abraços, desejos de amar, mas também desejos de acabar, assomam-lhe ao espírito …
Este é o seu filme-annonce :
Ainda no cinema, a Cinemateca (a atravessar um período difícil dados os cortes orçamentais) chama a atenção para a heterogeneidade da sua programação de Maio, esmagadoramente composta a partir de uma lógica de sessões avulso que inclui (vantagens do momento ?) uma série de títulos nunca antes exibidos na Cinemateca.
Um deles ocorre nesta Segunda-feira, 20 de Maio, às 19h, na Sala Dr. Félix Ribeiro, e é “Les Amazones du Temple d’Or” (O Mistério do Templo de Ouro) (França, 1986) de Jess (Jesus) Franco, com Analía Ivars, William Berger,
António Mayans, Stanley Kapoul nos papéis principais.
Esclarece a Cinemateca : «Realizado por Alain Payet, autor de 129 longas-metragens pornográficas, com o pseudónimo de James Gartner, este filme é atribuído em grande parte a Jess Franco, embora este não esteja creditado no genérico. A trama narrativa é semelhante à de uma banda desenhada de aventuras, com uma mulher branca que fora criada por uma tribo da Amazónia, da qual decide vingar-se, juntando-se a uma expedição que busca um templo de ouro secreto desta tribo».
NOTÍCIAS EM ATRASO
Aproveitamos para começar aqui a chamada de atenção para acontecimentos por lapso omitidos, dado que exactamente na Cinemateca é projectado neste Sábado, 18 de Maio um filme considerado “uma raridade absoluta”.
Será às 22h na Sala Luís de Pina e a longa metragem é “Ballad in Blue” (Estados Unidos, 1964) de Paul Henreid (na foto), com Ray Charles, Mary Peach, Dawn Adams e Tom Bell nos principais papéis. Há uma segunda projecção a 31 de Maio, às 22h.
Diz o programador que «… imortalizado para o cinema em “Casablanca” no papel do chefe da resistência antinazi e marido de Ingrid Bergman, Paul Henreid teve uma verdadeira carreira de realizador a partir dos anos cinquenta, sobretudo na televisão, inclusive em séries célebres como “Bonanza” e “Alfred Hitchcock Presents”.
Realizado para o cinema, a película “Ballad in Blue” tem como protagonista Ray Charles, no seu próprio papel. Sinopse : “Durante uma visita a uma escola de crianças cegas, o cantor fica amigo de um rapazito, a quem promete levar para uma consulta com um grande especialista em para Paris, que é a próxima etapa da digressão que está a fazer …”.
Esta é uma cena do filme :
Nas artes plásticas (em sentido muito lato), terminam neste Domingo 19 três exposições com crítica favorável.
Duas encontram-se no espaço da Culturgest.
Na sua Galeria 1, Rui Toscano produziu “Esculturas Sonoras 1994-2013”, o resultado de uma
«genealogia de obras em que o artista utiliza o radiogravador simultaneamente como elemento escultórico e como sistema de amplificação sonora … (o qual) era, já em meados da década de 1990, um objeto obsoleto, em vias de desaparecimento. … A referência à cultura rock, e por essa via a uma determinada cultura juvenil que o artista perfilhava, estava muito presente nas duas primeiras dessas peças – também em (…They Say We’re Generation X But I Say We’re Generation Fuck You!), de 1995. Mas o que persiste em todas elas, e que poucos terão notado na década de 1990, é uma muito particular reactivação da linguagem formal característica da escultura minimalista a partir de premissas, atitudes e questões estranhas a essa tradição. Rui Toscano elabora quadros de experiência e de sentido a partir do cruzamento entre formas simples, minimais, e ocorrências sonoras através das quais o real e a representação irrompem».
Já na Galeria 2 encerra-se o “Retrato de Michel Auder”, resultado de mais de quarenta anos em
que Michel Auder tem vindo a retratar de forma assumidamente subjectiva, e com base na sua experiência vivida e em circunstâncias biográficas, o mundo (próximo ou distante, íntimo ou anónimo) que o rodeia. Tendo-se mudado de Paris para Nova Iorque em 1970, ele filmou constantemente, ao longo das décadas de 1970 e 1980, as pessoas que lhe eram próximas, incluindo figuras mais ou menos ilustres do meio cultural e artístico nova-iorquino.
Já nos referíramos a este trabalho a quando das sessões videográficas que acompanharam a mostra, como o leitor pode ler aqui.
A última mostra que fecha neste Domingo é “Coração Aventuroso” da autoria de Inez Teixeira, presente na Sala Cinzeiro 8 do Museu da Electricidade.
Trata-se de um conjunto de pinturas e desenhos, a preto e branco, inspirados na edição oitocentista da “A Terra Illustrada”, do geógrafo francês Onésime Reclus, cujas gravuras ensaiam uma descrição geográfica e política da Terra. «O que atraiu Inez Teixeira para estas páginas (diz o folha de sala) foi a vastidão da Terra de que elas dão conta; e o modo como testemunham a possibilidade, ou melhor, o desejo de conhecimento dessa vastidão. Mas Inez Teixeira regressou a estas páginas depois de o projecto de que elas dão conta se ter desfeito há muito. O mundo de que A Terra Illustrada dava conta está, na totalidade, esgotado como novidade e esgotado também nos seus recursos, riquezas e diferenças».
Por último, devemos pormenorizar a notícia dada sobre o arranque da 13ª edição do “Festival
Internacional de Marionetas e Formas Animadas – FIMFA Lx 13” referindo-nos em concreto ao espectáculo de abertura no Maria Matos Teatro Municipal, às 21h30 da Sexta-feira 17 e do Sábado, 18 de Maio (logo hoje), chamado “Cupidon, Propriétaire de l’Immeuble situé sur l’Enfer et le Paradis”, da responsabilidade da “Cie P.P. Dream & Gilbert Peyre” (França).
Diz o FIMFA que «por obra do artista plástico Gilbert Peyre (foto), criador de instalações-espectáculo denominadas por sculpturOpéras … durante uma hora somos mergulhados … numa opulenta festa de esculturas electromecânicas saídas directamente da imaginação fértil de um electromecânico-maníaco… Esta alegoria surrealista sobre o Amor mistura, assim, as artes plásticas, a tecnologia e a ópera, com um texto erótico de Yves Garnier, interpretado pela soprano Lydie Morales e uma partitura musical de Gérard Pesson, Raphaël Beau e Caruso.
Comédia mecânica, cómica e trágica, onde as fantásticas esculturas electromecânicas de Gilbert Peyre coabitam com actores e o público é introduzido no universo peculiar de Cupidon (Jean-Yves Tual), personagem de carne e osso, metade homem, metade mulher, que vive rodeado de bonecas angelicais e diabólicas e é o proprietário deste espaço, que compartilha com a Noiva (Marie De Oliveira), disfarçada de Princesa.
No coração desta música encantatória, com sons estranhos e palavras eróticas, desfilam perante os nossos olhos uma Governanta (Gaëlle Fiaschi), um coelho mecânico “corredor”, anjos, um contrabaixo, um par de calças, uma saia, um armário cheio de convulsões, lançadores de facas, um porco com uma coroa de fogo, um bebé com um ecrã na cabeça… » … como se pode antever neste vídeo sumário :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui)


![rabate_bd_petits_ruisseaux[1]](https://i0.wp.com/aviagemdosargonautas.net/wp-content/uploads/2013/05/rabate_bd_petits_ruisseaux1.jpg?resize=568%2C275)


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