por Rui Oliveira
Nesta Quinta-feira, 6 de Junho voltam a não abundar os eventos de música clássica, podendo apenas, no nosso conhecimento, resumir-se a dois concertos.
Um, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h, é um Recital de piano de entrada livre, da iniciativa de “Música no Museu”, uma estrutura brasileira de divulgação da música de todos os géneros e formação
de novas plateias, que traz a Portugal a pianista Fernanda Canaud, a qual virá interpretar obras de diversos compositores clássicos brasileiros.
Fernanda Chaves Canaud estudou na Pró-Arte e na Escola de Música da UFRJ, onde concluiu o Mestrado em Música ‘Cum Laude’, especializando-se na obra de Radamés Gnattali. Entre os seus mestres contam-se Homero Magalhães, Linda Bustani, Antonio Guedes Barbosa, Mirian Dauelsberg e Ondini Mello. Em 1996 gravou um CD em Duo com o clarinetista José Botelho, totalmente dedicado a obras de compositores brasileiros.
O registo dum evento semelhante realizado em Espanha está disponível no YouTube aqui .
O outro é também um concerto de entrada livre onde diversos Solistas da Orquestra Metropolitana actuarão numa sala do El Corte Inglês, às 19h, sendo o mesmo comentado por Alexandre Delgado.
Serão eles Madalena Rodrigues violino, Maria Bykova violino, Joana Tavares viola e Nuno Cardoso violoncelo e irão interpretar de Edvard Grieg – Quarteto de Cordas em Sol menor, Op. 27.
Não havendo qualquer registo da actuação destes solistas portugueses, fiquemos com uma gravação integral clássica nos anos 60 (agradecendo ao YouTube), a do “Copenhagen String Quartet” (composto por Tutter Givskov violino, Mogens Lydolph violino, Mogens Bruun viola e Asger Lund Christiansen violoncelo) :
Por último, lembramos de novo que esta é a última semana (grosso modo) das comemorações do Ano do Brasil em Portugal, pelo que estão a decorrer em simultâneo diversas actividades.
No campo da música, no palco do Espaço Brasil (na LX Factory), com entrada gratuita, estarão nesta Quinta-feira, 6 de Junho, às 22h, a abrir Tetê Espíndola e Alzira E, duas irmãs, vindas de uma família do Sul do Matogrosso.
Em 1998, gravaram ao vivo o CD “Anahí”, releituras de clássicos populares, guarânias e polcas. Trata-se de um encontro de duas irmãs e artistas, com um repertório que vem da vivência e convivência em comum com a região em que nasceram, conhecida como o Pantanal.
Seguem-se no palco, Antonio Carlos e Jocafi com o show que apresenta composições musicais da dupla sobre personagens dos livros do escritor brasileiro Jorge Amado. Oriundos das mesmas fontes culturais, estes compositores conseguem, com maestria, expressar musicalmente o que o escritor diz na sua ficção, traduzindo nas suas canções um quadro idêntico ao dos romances.
Mostramos-lhe uma participação de Tetê Espindola em 2009 num show “Música Pantaneira – da tradição à renovação” (da responsabilidade de Tetê Espíndola, Alzira E, Lucina e Jerry Espíndola) com a participação especial de Zeca Baleiro :
Devemos lembrar ainda que (NOTÍCIA EM ATRASO) amanhã (Quarta-feira, 5 de Junho), partilharão o palco do mesmo Espaço Brasil , a partir das 22h, José Miguel Wisnik e Ná Ozzetti, e em seguida Guilherme Rondon.
Ná Ozzetti foi a primeira cantora a interpretar e a gravar um conjunto de canções de José Miguel Wisnik. Embora aliados desde sempre, os seus roteiros seguiram caminhos próprios, sem que eles se apresentem juntos num espectáculo único e exclusivo desde há muito tempo. O repertório inclui canções que marcam a história dos encontros entre o compositor e a cantora, entre elas, as inéditas “Tudo vezes dois”, “Louvar” (parceria de Wisnik com Cacaso) e “Sinal de batom” (parceria dele com Alice Ruiz). Ná interpretará também canções recentes, como “Tristeza do Zé” (parceria de Wisnik com Luiz Tatit) e “Pérolas aos poucos”, da qual ela registrou uma extraordinária versão com André Mehmari.
A banda é formada por José Miguel Wisnik ao piano, Marcio Arantes no contrabaixo e na guitarra, Swami Junior no violão e no baixo elétrico, Sérgio Reze na bateria e Guilherme Kastrup na percussão.
Quanto ao pantaneiro Guilherme Rondon, compositor, tocador de violão, intérprete de suas canções, domina com mestria a fusão de ritmos ternários da fronteira, como «guarânias, polcas e chamamés». Porém (diz o Espaço Brasil), “a sua música não pode ser classificada como regional, já que apresenta uma linguagem contemporânea, que tanto se pode servir da música mineira quanto do pop dos Beatles, sem o menor preconceito”.
Este vídeo de “Trio de Efeitos” reune Ná Ozetti, cantando com Ceumar e Susana Salles, um tema de José Miguel Wisnik e Luis Tatit que aqui o toca com o seu conjunto :
Pela raridade do encontro entre Ná Ozetti e José Miguel Wisnik, damos-lhe aqui acesso a um dos poucos shows (mal gravados) de ambos em 2007 cantando “Chega de Saudade”.
De assinalar, por fim, que também faz parte do encerramento a Première Brasil Lisboa que o Festival do Rio vem a Portugal apresentar entre os dias 6 e 12 de junho nos cinemas ZON Lusomundo e no Centro Cultural Belém.
Irá oferecer ao público da capital portuguesa (diz o Espaço Brasil) « uma selecção dos mais recentes e premiados filmes brasileiros, divulgando o trabalho de novos talentos da cinematografia nacional do Brasil, acompanhada por uma delegação de cineastas, actores e produtores, presentes para apresentar os filmes e conversar com o público após as sessões.
A programação completa encontra-se aqui .
Já na abertura, nesta Quinta-feira, 6 de Junho, estará um nome grande do cinema brasileiro, Nelson Pereira dos Santos e seu belo documentário “A Música Segundo Tom Jobim” , exibido em sessão especial no Festival de Cannes em 2012. O filme traz as canções de Tom interpretadas por artistas consagrados como Dizzy Gillespie, Ella Fitzgerald, Judy Garland, Henri Salvador, Chico Buarque, entre outros, além do próprio mestre».
É a antecipação dessa exibição que aqui fazemos, agradecendo ao YouTube :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)



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