EDITORIAL – A INDEPENDÊNCIA DA ESCÓCIA

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Pois a Europa tem mais coisas interessantes do que parece. Temos é que olhar com atenção. E a independência da Escócia é uma delas. No dia 18 de Setembro de 2014 vai haver um referendo sobre o assunto, para decidirem se pretendem deixar o Reino Unido ou se preferem continuar sob o governo de sua majestade Isabel II. A questão é interessante. Para quem julga que isto dos países se fragmentarem só ocorre nos países do sul, da instabilidade, da troika, dos maus governos, despesistas, etc., há que lhes mostrar a Escócia.

Os ingleses estão atrapalhados. David Cameron, claro, é contra a independência da Escócia, mas não pode pura e simplesmente proibir o referendo. Então não foi a Inglaterra que inventou a democracia, que impôs a Magna Carta, a democracia representativa, o parlamento, e sabe-se lá o que mais? A Escócia foi formalmente independente até ao princípio do século XVIII, e ficou sob a suserania da coroa britânica após terem sido celebrados os Actos de União, em 1707, que pôs fim aos reinos da Escócia e da Inglaterra. Recentemente, pelo Acto da Escócia, em 1998, foi concedida alguma autonomia ao governo e ao parlamento escocês. Nestes dois órgãos o Partido Nacional Escocês (SNP – Scottish National Party) tem predomínio desde 2007. É um partido que se inclui no campo social-democrata e que preconiza a independência da Escócia.

Em Inglaterra, os grandes partidos, conservadores, trabalhistas e liberais estão unidos na oposição à independência da Escócia. Os grandes interesses, a City, também não parecem entusiasmados. Dizem que os escoceses terão que seguir o seu caminho sozinhos, caso votem a favor da independência. Declaram não estar dispostos a aceitar que haja fases transitórias, uniões monetárias ou de outra natureza. E entretanto, o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, como podem ler num dos links abaixo veio dar uma ajuda, comparando a situação à do Kosovo, e declarando ser quase impossível que a Escócia independente fosse aceite na União Europeia. Referiu a posição da Espanha, que não reconheceu a independência do Kosovo, por receio do exemplo que poderia constituir para a Catalunha ou o País Basco.

Concluindo, independências para cá dos Balcãs, nicles! Os chefes não querem. Claro que Barroso ou Cameron só lamentam não poderem cortar as veleidades à partida, e terem de recorrer a ameaças e sanções. Sentem que o peso político do Reino Unido ficaria diminuído e temem problemas como o da Escócia ficar com parte dos campos petrolíferos do Mar do Norte sob a sua alçada, ou de o SNP ter alguma deriva esquerdista, eles que têm cortado tantos direitos e benefícios às populações sob a sua alçada.

Poderão acompanhar esta questão através do primeiro link. Os outros trazem informações úteis.

http://www.scotreferendum.com/

http://www.publico.pt/mundo/noticia/barroso-considera-quase-impossivel-uma-escocia-independente-na-ue-1623967

http://www.theguardian.com/politics/2014/feb/16/independent-scotland-extremely-difficult-join-eu

http://www.theguardian.com/politics/2014/feb/12/uk-parties-bully-rejecting-scottish-independence-snp-currency-union

 

 

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