Todos fazemos teatro. Diz-se. Mas poucos fazem Teatro. Homem de Teatro. Diz-se. Mas Homem do Teatro não se pode facilmente dizer a condizer. Leandro Vale pertence aos nascidos/construídos para as Artes Cénicas.
Actor/encenador/coreógrafo/figurinista/luminotécnico/sonoplasta/dramaturgo/fundador de companhias/espectador. De
fazer prático. De saber teórico. Com direito a centenas de estreias. As sete peças deste volume reflectem a experiCiência de Leandro. Um autor-personagem que integra, no currículo, as diversas competências da representação. Desvela, no intertexto, as marcas de quem controla o ofício. Não é apenas um escritor para o palco mas de palco. Um red(actor). Diremos nós. Entre parêntesis.
Aqui o humor educa e diverte. Aqui o amor expõe-se e liberta. Aqui a política é a cidade tomada pelos cidadãos. Aqui se dá nota das tragicomédias do mundo. Há criminosos à caça de inventores de madrugadas. D. Quixote deambula pela Ibéria. Bastará ver. Não chega olhar. Quer um Sancho como burro, limpador de lanças, escovador do outro burro. Cuidado com as portas. As chaves poderão apenas consentir a entrada. Como sair da sucessão de engodos, trabalhos e cativeiros?
Nada mais adiantaremos sobre o escrito. Ler é preciso. O espectáculo vai começar.

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