A HISTÓRIA DE BLIMUNDO – DA MEMÓRIA À VOZ DE CELINA PEREIRA – por Clara Castilho

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O conto popular, com os seus resíduos de crenças e mitos populares, é uma modalidade específica de discurso que pode e ser estudada. Já tinha ouvido falar do boi Blimundo, creio que na Expo 98 até vi alguma encenação do lenda, pois tenho imagens na memória.

Eis o que encontrei:

Havia um boi chamado Blimundo. Era grande, forte e amante da vida e da liberdade. Além disso, era muito amado e respeitado por todos, pois sabia pensar por si próprio, além de ser muito gentil com todos. Ao saber da existência de criatura tão autêntica, Senhor Rei perguntou-se que boi seria esse, que ousava ser tão livre em seus posicionamentos e fazendo com que os outros bois lhe seguissem o exemplo. Pensava: Se ele continuasse assim, quem faria, depois, o trabalho pesado do reino? Ordenou, então, que Blimundo fosse pego morto ou vivo, a trazido até a sua presença. Os homens do Senhor Rei saíram em busca do boi, mas este os encontrou primeiro e deles deu cabo. Ao saber da notícia, Senhor Rei reuniu os homens mais valentes do reino e os mandou capturar Blimundo, e os homens partiram. O boi, novamente, lhes deu valente sovas.

Imagem2 Quando recebeu tão triste notícia, Senhor Rei desesperou-se, mas logo ouviu falar de um rapaz que foraImagem3 criado no borralho da cinza e que se prontifica a ir buscar Blimundo. O menino pediu um cavaquinho, um “bli” dágua e uma bolsa de “prentém”. Além disso, quando retornasse queria a metade da riqueza do reino e a mão da princesa. Senhor Rei concordou e o jovem partiu. Então o jovem sai em busca do boi cantando uma canção que deixou Bilmundo encantado, na qual o jovem diz que, se Blimundo for com ele, casará com a Vaquinha da Praia. O boi pergunta se é verdade, o rapaz responde que sim. O jovem pede a Blimundo que o deixe montar, pois o caminho é muito longo. Ele deixa com a condição de que o rapaz continue cantando. Senhor Rei colocou a tropa em pontos estratégicos para receber Blimundo. Ao ver o boi chegar, carregando o rapaz no lombo, cansado e feliz, Senhor Rei não acreditou. À porta do palácio, o rapaz pediu para descer do lombo de Blimundo a fim de fazer a barba antes de ser apresentado à Vaquinha da Praia.

O jovem conta o seu plano ao Senhor Rei e leva até o boi um barbeiro com seus instrumentos. Atrás deles, Senhor Rei. O barbeiro, enquanto Blimundo sonha com o amor da Vaquinha da Praia, corta-lhe a garganta com a navalha. Antes de morrer, o boi atinge o rei com uma patada que o mata. O rapaz e o barbeiro fogem, mas jamais esquecem o último olhar de revolta de uma criatura cujo único erro foi acreditar na harmonia, na justiça e na liberdade.

Conto de Cabo Verde

Entretanto, encontrei a história contada por Celina Pereira. Que não coincide com a escrita, o que não é de espantar, tantas são as versões. Mas que é uma delícia de ouvir. Vamos a isso!

 

2 Comments

  1. Este conto é caboverdiano, e da ilha de Santo Antão….. repare nos materiais usados, “Bli” é um utencilio utilizado na ilha para carregar liquidos ( neste caso a agua), “prentem” (milho torrado)

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