Ontem, nas comemorações do 5 de Outubro (passaram tão despercebidas!), Cavaco Silva fez um discurso em que apelou a uma cultura de compromisso. De compromisso entre as forças partidárias, para poder salvaguardar o sistema de representação proporcional. Atrás, citando o Eurobarómetro, tinha referido o descrédito em que os partidos caíram junto da opinião pública. Referiu que 89 % dos portugueses tendem a não confiar nos partidos políticos e 73 % dizem não estar satisfeitos sobre o modo como a democracia funciona no nosso país. Mas acrescentou que os portugueses não estão insatisfeitos com a democracia ou com a república. Estão insatisfeitos sim com o modo como as instituições democráticas têm funcionado.
Quais são as bases em que Cavaco Silva pretende que assente o tal compromisso? Apela a não se fazer promessas irrealistas, e que não se possam cumprir, mas de concreto aponta o quê? O cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Portanto a manutenção do esforço de contenção dos défices das contas públicas e de controlo rigoroso da despesa. Em linguagem corrente, a continuação da política da troika.
O mandato de Cavaco Silva termina em 2016. Antes, em 2015, temos eleições legislativas. Assim, percebemos que veio balizar os programas dos candidatos. Tenta limitar as propostas eleitorais, de modo a caberem nas regras da austeridade. E nos objectivos desta, tanto nos declarados, como nos ocultos. Cavaco procura tanmbém excluir as candidaturas que não caibam no centrão, para usar um termo de Paulo Portas (que ele usa só quando está na oposição). Como toda a gente sabe, o centrão inclui toda a direita portuguesa. A esquerda só lá entra se for à moda da troika. António Costa, entretanto, evita fazer promessas. Faz votos para que o 5 de Outubro volte a ser feriado. É importante, mas pouco. Muito pouco.


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