MUNDO CÃO – UMA PROVA DOS NOVE – por José Goulão

 

 

 

No Médio Oriente abundam os indícios de que o exército regular da Síria prepara uma ofensiva para se reapoderar das regiões do nordeste do país envolvendo Raqqa, onde se diz estar instalado o quartel-general dos mercenários do Estado Islâmico, ou Isis, ou Daesh, a designação é o que menos interessa.

Uma acção com este objectivo estratégico apenas se torna possível depois de o regime sírio ter retomado gradualmente o controlo da região de Alepo e da fronteira com o Líbano, o que traduz igualmente uma contrariedade muito forte para todos os que, internacionalmente, se empenharam no desmantelamento da Síria através de uma grande coligação entre os Estados Unidos da América, a União Europeia e os regimes fundamentalistas islâmicos do Golfo.

Olhando e ouvindo o que através do mundo se diz sobre o Estado Islâmico seria de prever que começassem agora a surgir elogios à barreira que Damasco tem erguido ao terrorismo agindo sob a cobertura abusiva do islamismo, tanto mais que ainda há poucas horas o exército sírio tirou definitivamente de circulação o chefe da frente Al-Nusra, uma das muitas designações dessa rede de terror.

Porém, olhando e ouvindo o que se diz pelo mundo tudo leva a crer que muitos dirigentes investidos de altas funções no regime global mais não são do que fala-baratos, cínicos e mentirosos.

Porque este é o preciso momento em que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, diz que é preciso reforçar a componente militar internacional para derrubar o governo da Síria.

Este é o preciso momento em que o governo do Iraque anuncia o derrube de aviões militares norte-americanos e britânicos que transportavam armas para o Estado Islâmico.

Este é o preciso momento em que são mais claras do que nunca, reconhecidas pela própria comunicação social israelita, as cumplicidades entre Israel e o terrorismo islâmico sob a designação Estado Islâmico, que têm o seu santuário nos Montes Golã, ocupados por Israel à Síria.

Este é o preciso momento em que AbdelhakimBelhadj, terrorista líbio que chefia a coligação “Aurora Líbia”, anuncia que coloca as suas milícias ao serviço do Estado islâmico. Para quem não se lembre, AbdelhakimBellhadj foi um dos pivots da aliança entre o terrorismo islâmico e a NATO que derrubou e assassinou Khaddafi e desmantelou a Líbia. No caso de haver dúvidas – ainda há quem as tenha – recorda-se que a recompensa dada pela NATO a Belhadj, e prova de reconhecimento pelos serviços prestados, foi a sua designação como primeiro comandante da região militar de Tripoli a seguir à “libertação” e àquilo a que insistem chamar a “instauração da democracia”.

Perante estes factos, por favor não levem a sério os ares circunspectos dos papagaios que vão desfilando pelas televisões falando da suposta guerra dos Estados Unidos e da União Europeia contra o terrorismo islâmico.

Mesmo assim, e havendo quem duvide desta vergonhosa teia de cumplicidades entre o tão civilizado ocidente e o tão bárbaro terrorismo islâmico, preparemos uma prova dos nove. Estejamos de olhos e ouvidos bem atentos às reacções ocidentais quando a Síria se lançar na ofensiva pela recuperação dos seus territórios submetidos à internacional terrorista. Antes disso é ainda é provável que tenhamos mais uma vaga de horror israelita em Gaza – são contas do mesmo rosário – tudo servindo, ao-fim-e-ao-cabo, para identificar, um por um, os membros do bando de irresponsáveis que governa o mundo.

3 Comments

  1. Parabéns Profº, por mais uma lição sobre política internacional e pelo desmascarar, da trama urdida pelo Império do Caos e seus vassalos, sionistas e quejandos.

  2. Um bom artigo que põe a nu aquilo que a maior parte das pessoas não sabe porque andam a ser enganados. Mas basta pensar um pouco sobre a impossibilidade de forças como os EU, França, RU, Jordania, Israel, etc etc andarem a “combater” o Estado Islâmico sem sucesso. É possível ? Claro que não. Andam-se a entreter e andam a entreter a opinião publica. Por outro lado vão armando o Estado Islâmico.

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