VAMOS AO CINEMA – “Melancolia” – por Afonso Aguiar

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

VAMOS AO CINEMA!   

 

Com esta crónica de Afonso Aguiar, damos início (por enquanto sem periodicidade) a “Vamos ao cinema!”, espaço dedicado à chamada sétima arte.

 

MELANCOLIA (Melancholia). Realizador: Lars Von Trier. Ano de realização:2011. Iintérpretes: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland. Duração:136 min. Género.: Drama. Sinopse: A história da relação de duas irmãs perante a proximidade de um planeta que ameaça colidir com a terra.

O polémico Lars Von Trier que disse ” compreender Hitler” e que ao mesmo tempo dizia ter sido mal compreendido volta-nos a surpreender… Melancolia é muito mais do que parece.

Conjugando jogos de imagens sublimes e uma repetitiva porém muito bem conseguida música de Wagner,

Melancolia, é um filme a que ninguém fica alheio pois será dificil sair da sala de cinema sem se procurar identificar com uma das personagens do filme : a melancólica, emocionalmente instável, Justine, interpretada por uma enorme Kirsten Dunst( vencedora sem surpresa em Cannes) que com a aproximação do fim do mundo acaba por ser a única que consegue enfrentar a realidade; a sua irmã Claire, uma mulher ansiosa que procura ajudar a personagem de Dunst e que ao mesmo tempo vive em constante receio da morte; o seu cunhado, interpretado por um Kiefer Sutherland que há muito não fazia um filme digno de registo ( e louvemos este seu regresso aos bons filmes), representando um homem rico, seguro e fascinado com a proximidade do planeta vendo-o como algo inofensivo, maravilhoso e divino; e finalmente o seu sobrinho, a jovem e inocente criança que há em todos nós e que no fim prova que a ingenuidade e a inocência consegue ser muitas vezes o melhor caminho.

O feito de Lars von Trier é de tal maneira fantástico que me arrisco a dizer que se trata de um dos melhores filmes de culto que esta década verá e foi sem surpresa que foi nomeado para a palme d’or do festival de Cannes, perdendo para um, menos bem conseguido, ” Árvore da Vida” de Terrence Malic.

Não se enquadrando no perfil de Hollywood e dificilmente candidato aos óscares, é mais do que um filme é uma verdadeira obra prima introspectiva.

 

 

 

 

 

3 Comments

  1. Muitos parabéns, Afonso, por esta óptima inauguração duma rubrica de cinema que tanta falta cá fazia. E começaste bem, pelo menos para mim, que não deixo passar um filme do Lars von Trier, um dos meus cineastas de culto. Criaste-me água na boca, fico à espera de mais.

  2. Obrigado Augusta Clara. Espero poder enviar brevemente outra crónica de um filme de teu agrado. Beijinho Augusta ClaraCumprimentos para todos os argonautas

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