As sílabas marginais/um palhaço de coração estreito/Nelson Ferraz

 

 

um palhaço de coração estreito

senta-se no mar

e, alheio a todos os peixes,

esquarteja o mundo com as lâminas

da sua loucura.

 

de um lado, do outro lado

e também do outro lado,

outros palhaços de coração estreito

aplaudem entusiastas com as suas mãos sujas.

 

ninguém sabe qual o pior dos palhaços, mas

 

o céu já não tem o mesmo azul,

a terra está suja de loucura suicida

e o mar já não é o último reduto do silêncio.

mas isso tem pouca importância

para qualquer palhaço de coração estreito.

 

há palhaços que emergem como monstros.

 

 

 

 

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