um palhaço de coração estreito
senta-se no mar
e, alheio a todos os peixes,
esquarteja o mundo com as lâminas
da sua loucura.
de um lado, do outro lado
e também do outro lado,
outros palhaços de coração estreito
aplaudem entusiastas com as suas mãos sujas.
ninguém sabe qual o pior dos palhaços, mas
o céu já não tem o mesmo azul,
a terra está suja de loucura suicida
e o mar já não é o último reduto do silêncio.
mas isso tem pouca importância
para qualquer palhaço de coração estreito.
há palhaços que emergem como monstros.


