por Rui Oliveira
São diminutos os acontecimentos da próxima Segunda-feira 24 de Setembro onde de novo há apenas :
Na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h, há um Recital de violino e piano em que os executantes serão Nuno Soares, violino e Jakub Czekierda, piano de um programa musical ainda a anunciar.
Na Sala Luis de Freitas Branco do Centro Cultural de Belém, às 18h, Michel Zink, eminente especialista de literatura medieval e professor no Collège de France, fará uma conferência “Quel est le nom du poète? (Qual é o nome do poeta?)”, sendo apresentado por Vasco Graça Moura.
Tema: Que relação existe ou pode existir entre o nome do poeta e o poema? Por outro lado, o que é um poema anónimo? No nascimento da poesia europeia, muitos poemas da Idade Média chegaram até nós de forma anónima. Por outro lado, muitos poetas medievais fazem referência ao seus nomes nos poemas, fazendo assim com os eles um jogo poético. Como esses exemplos antigos podem alimentar o nossa reflexão sobre a poesia e ajudar-nos a compreendê-la?
Assim, perante tal escassez, lembramos teatro e cinema de algum mérito cuja exibição se arrisca a terminar.
Na Sala Novas Tendências do teatro A Comuna termina nesta Segunda 24 de Setembro, às 21h45, o acolhimento (de treze dias) dado à 1ª produção do Teatro Cúmplice do texto “ Branco ou Um Dia não teremos História para Contar” de Mariana Rosário (que a encena) com interpretações de João Abel e Maia Ornelas.
Conta-se a história de uma mulher e de um homem. A mulher sonha branco. O homem sonha nada. “Ela acredita em novas histórias, outras cores. Porque o amor acabou. Ele prefere não complicar. Porque as histórias serão sempre iguais. Já nada de novo existe. E tudo na vida acaba.”
No Teatro Meridional , às 22h e por altura do seu 20.º aniversário, representa-se até 30 de Setembro “O Sr.Ibrahim e as Flores do Corão”, um texto do dramaturgo francês contemporâneo Eric-Emmanuel Schmitt.
Sinopse : Em Paris, nos anos 60, Momo, um rapazinho judeu de onze anos, torna-se amigo do velho merceeiro árabe da rua Bleue. Mas as aparências iludem: o Senhor Ibrahim, o merceeiro, não é árabe, a rua Bleue não é azul e o rapazinho talvez não seja judeu.
O Teatro Meridional pretende fazer-nos reflectir sobre : “Se cada um de nós olhar para trás na sua vida, perceberá certamente que existiu, existiram e/ou existem figuras tutelares que determinam as pessoas que hoje somos. E, porque tantas vezes nos cruzamos com elas sem lhes devolver o seu significado profundo ou as deixamos partir sem lhes dizer a importância que tiveram, este é um texto sobre a escolha de caminhos e a importância da amizade”.
A encenação é de Miguel Seabra e Marta Carreiras e a interpretação de Miguel Seabra e Rui Rebelo.
Quanto a cinema, deixamos por hora dois remakes de aparente qualidade (não os vimos), o “Jerichow” de Christian Petzold (refazendo o”O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes”) e o mais recente “Crime e Pecado” de Rowan Joffe (réplica de “Morte em Brighton”), bem como o anunciado malogro do último Woody Allen, para aconselhar (e poderá já estar a sair de sala !…) “7 Dias em Havana”, um conjunto de sete histórias de Cuba escritas por Leonardo Padura e que outros tantos realizadores (Laurent Cantet, Benicio del Toro, Julio Medem, Gaspar Noé, Elia Suleiman, Juan Carlos Tablo e Pablo Trapero) filmaram, abordando não tanto questões de liberdade, mas as dificuldades do dia a dia, a luta pela vida, a vontade de partir de alguns e sobretudo a beleza duma cidade em evidente degradação.
Há histórias pungentes, outras absurdas, algumas esperançosas, mas no conjunto um retrato provavelmente fidedigno duma sociedade como não deverá haver outra, dado o circunstancialismo geopolítico dum bloqueio iníquo de mais de quarenta anos.
O trailer seguinte dá uma ideia (pálida) da riqueza da narrativa :
É oportuno ainda lembrar eventos de algum interesse, pelo menos para certos sectores de opinião, a ocorrer neste fim-de-semana.
Um que ocupará a Praça D.Pedro IV (vulgo Rossio) desde a noite de Sexta 21 até à de Domingo 23 é o “LeYa no Rossio – Festival Literário”, cuja primeira edição acontece no contexto do Ano do Brasil em Portugal .
Diversos autores brasileiros foram convidados a participar num ciclo de mesas redondas que formarão o coração do programa deste festival tais como Zuenir Ventura, Luis Fernando Veríssimo, João Paulo Cuenca, Paulo Lins, Eduardo Bueno, Luiz Felipe Pondé e Amilcar Bettega, a que se juntarão autores portugueses como José Eduardo Agualusa, Miguel Sousa Tavares, Inês Pedrosa, Manuel Alegre, Miguel Real, João Ricardo Pedro e João Tordo.
O evento no Rossio contará ainda com uma “Feira do Livro do Brasil e de Portugal” e com um programa paralelo de música e teatro de que lembramos :
No Sábado, às 16h30 “Gigantes pela Própria Natureza”, um teatro de rua (que se repete no dia seguinte às 14h) ; às 17h30 um Concerto “Conversas com versos”, de Eugénia
Melo e Castro que cantará poemas de sua mãe Maria Alberta Menéres (com Eduardo Queiroz, Camilo Carrara e Nath Calan) que repete no Domingo às 15h ; às 20h um Concerto: Clube do Choro (também no Domingo às 16h).
No Domingo, às21h, há uma Tertúlia MPB – Música Portuguesa Brasileira n.º 2 – uma conversa musicada em torno da literatura e da música em língua portuguesa em que o músico brasileiro Pierre Aderne convida diversos músicos e escritores como Júlio Resende (piano), Norton Daiello (baixo), Bruno Pedroso (bateria) com participação especial de Gisela João, Paulo Praça, Couple Coffee, Jorge Palma e JP Simões. (para o programa integral, ver em http://www.leya.com/fotos/editor2/programa_leya_rossiobx.pdf )
Também começou ontem 21 de Setembro (até 29) no Cinema São Jorge o Queer Lisboa 16, único Festival nacional com o propósito específico de exibir filmes de temática gay, lésbica, bissexual, transgénero e transsexual. (para consultar a programação completa ver http://queerlisboa.pt/agenda )
E hoje 22 de Setembro, às 22h30 no OndaJazz, há a conjunção feliz da voz de Maria Anadon com o contrabaixo de Carlos Barretto, assim como no Hot Clube, às 23h, onde André Sarbib pretende em “This is It” dar continuidade ao CD anterior, coadjuvado por João Moreira trompete & flugel horn, António Quintino contrabaixo e João Cunha bateria.
Segue o tema Valsana com os mesmos instrumentistas do referido CD “This Is It” :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui )



1 Comment