EM COMBATE – 185 – por José Brandão

Durante a operação” Sagitário 13” e quando o 1º pelotão se preparava para uma breve pausa para a refeição do meio dia, o IN surpreendido pela nossa presença disparou indiscriminadamente tendo atingido mortalmente o camarada EDUARDO CALDEIRA DE GOUVEIA e ferido mais dois. A reacção imediata das nossas forças, colocou o IN em fuga sendo capturado algumas munições de basooka.

No dia 1 de Julho, quando o 2º pelotão se encontrava a fazer segurança e protecção à construção do aldeamento do Changué, foi atacado ao cair da noite tendo a resposta pronta das nossas tropas provocado vários mortos confirmados e um número indeterminado de feridos ao IN bem como a captura de algumas armas automáticas.

Por último assinalar o rebentamento no meio do leito do Rio Mocumbura de um Jeep Rodesiano que lhes causou 3 mortos.

Em finais de Outubro de 1971, o BCav. 3837 ao qual a Companhia estava adida, achou por bem deslocá-la para o Daque, zona de intensa passagem do IN, dado que o rio com o mesmo nome tinha água todo o ano.

O 1º e 4º pelotões ficaram no Daque, o 3º foi destacado para a Chinhanda – a 30 Kms – e o 2º para a Chicoa.

Também aqui a Companhia teve mais uma vez, de criar as condições logísticas para a sua instalação e funcionamento dado não existir qualquer tipo de instalações.

Com um grande espírito de união, empreendimento, coragem e sacrifícios foram criadas as condições mínimas para se viver, chegando mesmo a construir uma pista de aviação que veio facilitar os reabastecimentos e transporte de correio, factores primordiais para quem se encontrava isolado de tudo e de todos, evitando também as colunas que eram feitas para o efeito mas, com grandes riscos.

A estadia no Daque prolongou-se até ao dia 8 de Julho de 1972, altura em que a CCaç. 2759 foi rendida pela Companhia 3555. Durante este período de tempo a nossa actividade foi intensa: protecção e aberturas de itinerários, patrulhas de proximidade ao aldeamento e aquartelamento, nomadizações de longas distâncias e duração, ligação e apoio ao destacamento da Chinhanda, apoio em géneros e comida às populações, montagem de emboscadas, picagem de itinerários, escolta a outros forças – para-quedistas, comandos e fuzileiros navais, reparação de picadas e, como já referimos, a construção de uma pista de aviação, toda ela feita pelo braço humano.

No dia 18 de Janeiro de 72, quando era feita uma patrulha e abertura de um itinerário Daque-Chinhanda o IN atacou as viaturas ferindo o comandante da mesma e um soldado. À reacção das NT o IN pôs-se em fuga deixando na mesma mais uma arma semi-automática.

O principal contacto com o inimigo nesta zona deu-se no dia 29 de Fevereiro de 1972, com um ataque de grande envergadura ao nosso aquartelamento que provocou mais quatro baixas, todas ligadas a secção da alimentação – 1º CABO COZINHEIRO ANTÓNIO PEREIRA DA SILVA, ANTÓNIO CARLOS DE VASCONCELOS, JOSÉ ALEIXO CAPELA E MODESTO PAIVA TAVARES e ainda 4 feridos ligeiros. Além destas baixas houve ainda a considerar mais quatro mortos da população local.

Do mês de Março até Julho houve ainda mais alguns contactos com o IN, bem como o accionamento de dois engenhos na picada, um dos quais causou três feridos. Foi também detectada mais uma mina.

No dia 8 de Julho e 1972, a Companhia rodou para a Vila da Namaacha, a sul de Moçambique e a 70 Km de Lourenço Marques. Durante a permanência nesta vila, esta CCaç., efectuou várias patrulhas com a finalidade de exercer contactos com as autoridades Administrativas e Policiais. Na altura da transferência para a Namaacha, esta CCaç. deixou um grupo de combate em Tete, afim de fazer escoltas ao comboio entre Moatize e Doa e um outro grupo em Lourenço Marques, em reforço ao BCaç. 18

 

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