DIÁRIO DE BORDO, 7 de Outubro de 2012

Parece que se abateu o descrédito geral sobre o governo Passos/Portas. Comentadores, jornalistas, políticos, simples cidadãos, que ainda há poucas semanas recomendavam paciência para com as medidas de austeridade, para com as tropelias de Relvas, as declarações infelizes de Passos Coelho, as atitudes de Paulo Portas, terão perdido a paciência e passaram a reclamar, senão a substituição do governo, pelo menos a sua remodelação. Ponto fulcral foi precisamente deixar de se considerar tabu a mudança do primeiro ministro. Embora ainda não abundem manifestações claras quanto a esse ponto em particular, é claro que a confiança em Passos Coelho caiu a pique. Para muitos, mesmo para muitos da área do governo, Passos Coelho tem de ser substituído. Mesmo as tentativas de fazer de Vítor Gaspar o principal culpado do mau governo que temos tido (mau mesmo para muito gente da área política do governo) parecem estar a ser cada vez menos convincentes.

Sob esse aspecto, Diário de Bordo está à vontade para falar. Sempre considerou Passos Coelho como não tendo características para o cargo, sob qualquer ponto de vista que se encarasse. Contudo, se é verdade que ele tem grandes responsabilidades no mau rumo que o país tem tomado, tem de se perceber que o problema não se resume a ele, indivíduo que veio dos juniores do PPD/PSD, e foi sendo promovido até á liderança da nação, numa situação difícil, é certo, tendo de suceder a outro mau governante, José Sócrates, que seu turno, já tinha sucedido a Pedro Santana Lopes, outro candidato ao pódio de pior governante do país, antes e depois do 25 de Abril.

O próximo primeiro ministro, por mais qualificado que seja, por melhores ideias que tenha, mesmo que venha de uma área política totalmente diferente (se se fizessem eleições as probabilidades de o ser não seriam reduzidas) vai ter de se defrontar com questões urgentes e terrivelmente difíceis. A primeira será sem dúvida a obsessão com a dívida pública, que o sistema financeiro e a oligarquia europeia impõem. A seguir seria a obrigação de corrigir os excessos deste governo, que são muitos e afectam já a maioria da população. A terceira a de, sem delongas, relançar a economia, e de a centrar mais na produção para servir a população portuguesa, combatendo o desemprego e a pobreza. Em quarto lugar, a reconstrução dos serviços públicos, de saúde, de educação, de justiça, e não só. A substituição de Passos Coelho é de todo o interesse para o país, mas só por si, não chega. Justifica-se, claro, pelas provas de incompetência que tem dado. As quatro questões que enumerámos são prioritárias e terão de ser atacadas em simultâneo. E não esgotam as necessidades do país. O ambiente e a cultura não podem ser deixados para trás.

O cenário de não haver mudanças significativas, embora possível, evidentemente, leva a riscos tão óbvios e tão grandes, que Diário de Bordo se atreve a prever que não será o escolhido. Contudo, tem de se estar preparado para ele também.

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