A overture começa com um uníssono de metais, embora os baixos pareçam estar a avisar: ” Ignorem esses metais. O que sabem eles da vida?” O pano sobre e mostra o palácio do Príncipe Sigmund, magnífico, esplendoroso e com ar condicionado central. O Príncipe está a celebrar o 21º aniversário, mas não parece muito feliz ao abrir os presentes, pois a maioria deles são pijamas. Um a um, os velhos amigos vêm render-lhe homenagem e Sigmund agradece com apertos de mão ou palmadinhas nas costas, segundo o sítio para onde estão virados. Confraterniza com Wolfshmidt, seu melhor amigo e estabelecem um pacto entre ambos: se um deles ficar careca, o outro usará peruca.
Os outros dançam, preparando-se para a grande caçada, até que Sigmund pergunta: “Qual caçada?” Ninguém sabe ao certo, mas a orgia já foi longe demais e , quando o empregado traz a conta, todos ficam aborrecidos.
Entediado com a festa, Sigmund dança até a beira do lago, no qual contempla a sua própria imagem durante 40 minutos, aborrecido por não ter trazido seu aparelho de barbear. De repente, ouve um bater de asas e vê um bando de cisnes selvagens voando à luz do luar. Os cisnes dobram à direita e voam na direção do príncipe. Sigmund constata que o líder é parte cisne, parte mulher – infelizmente, divididos no sentido longitudinal.
Sigmund apaixona-se por ela e promete a si mesmo tomar cuidado para não fazer referência a ovos. Como sempre dançam um pas de deux, que termina quando Sigmund tem um ataque de lumbago. Yvette, a Mulher-Cisne, conta-lhe que foi enfeitiçada por um mago chamado Von Epps e que, por causa de sua aparência, é quase impossível conseguir um papagaio no banco. Num solo particularmente difícil, explica através da dança que a única maneira de quebrar o encanto é convencer o seu amante a fazer um curso de taquigrafia por correspondência. Isto é odioso para Sigmund, mas mesmo assim ele jura que fará. Subitamente, Von Epps aparece, na forma de um saco de roupa suja, e leva Ivette com ele, finalizando o primeiro acto.
Começa o segundo acto, o qual se passa uma semana depois, e o Príncipe vai casar com Justine, uma mulher de quem ele tinha se esquecido completamente. Sigmund está dilacerado por sentimentos ambíguos, por ainda ama a Mulher-Cisne, embora Justine também seja muito bonita e não tenha certas desvantagens, como penas e bico. Justine dança sedutoramente em torno de Sigmund, o qual indeciso entre casar-se ou procurar Ivette e ver se os médicos podem fazer alguma coisa. Soam os címbalos e entra Von Epps, o mago. É verdade que não tinha sido convidado para o casamento, mas promete não comer muito. Furioso Sigmund desembainha a espada e atravessa com ela o coração de Von Epps. Isso transforma um pouco a festa, e a mãe de Sigmund ordena ao cozinheiro que espere um pouco antes de servir o banquete.
Enquanto isso, Wolfschmidt, seguindo ordens de Sigmund, encontra Ivette – o que não foi difícil, porque, como ele explica, ” Quantas mulheres cisnes existem em Hamburgo?” Ignorando as lamúrias de Justine, Sigmund corre ao encontro de Ivette. Justine vai atrás dele e beija-o, enquanto a orquestra ataca um furioso dobrado.
Nesse momento, podemos perceber que Sigmund veste a malha de balet do avesso. Ivette chora, dizendo que agora só a morte quebrará o encanto. E assim, numa das passagens mais comoventes e belas da história do balet, atira-se de cabeça contra o muro. Sigmund observa quando o corpo do cisne morto se transforma no corpo de uma mulher morta, e finalmente compreende quão cruel pode ser a vida, principalmente para os galináceos. Arrasado, decide juntar-se a ela e, depois de uma delicada dança de lamentação, engole um safio vivo.
Fez sentido?
