Pentacórdio para Sexta 19 de Outubro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Nesta Sexta-feira 19 de Outubro volta a ser reduzida a oferta possível, a saber :

 

 

   O Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém é palco, às 21h desta Sexta (e também no Sábado 20 de Outubro), para “Guintche – Criação 2010 , um espectáculo coreográfico de concepção e interpretação de Marlene Monteiro Freitas, com luz de Yannick Fouassier e música de Johannes Krieger (corneta), Rotcha Scribida de Amandio Cabral / Cookie (bateria), Otomo Yoshihide (excerto de um solo de guitarra) e Anatol Waschke (estilhaços).

   Explica a coreógrafa : “ Esta peça surge de uma figura que desenhei a partir da memória de um concerto. Chamei-lhe Guintche. Entretanto cresceu, ganhou vida própria, autonomia, revelou-se. Guintche deixou de ser a prótese de um pensamento para se tornar numa dança. O movimento repetitivo e circular da música faz rodopiar Guintche progressivamente para fora de si : da cara sai o feio e o monstruoso, das mãos a máscara, mãos sucessivamente mastigadas, incorporadas e vomitadas ; no seu rodopiar, rebolar, o corpo contrai-se, expande-se, transforma-se, desfigura-se. O ritmo inicial rodopia, expande-se a ponto de abarcar a totalidade da peça (só aparentemente tal não acontece), impõe a sua heterogeneidade e as suas diferenças, traz o desigual, determina sucessivas mudanças de direcção.”

   É possível ver um seu registo longo em  http://vimeo.com/groups/eroart/videos/19433851

 

 

 

   Ainda na área da dança e no mesmo Centro Cultural de Belém, é possível ver na Sala de Ensaio às 19h da mesma Sexta 19 (repetindo no Sábado 20 de Outubro) mais um espectáculo da bailarina e coreógrafa Sylvia Rijmer a que chamou “Anatomization”, que é uma instalação bio-mecânica ao vivo, transformada numa performance de dança, acompanhada de vídeo e de som.

   O conceito e a coreografia são de Sylvia Rijmer, enquanto a composição musical, o desenho de som e o vídeo são de Miguel Lucas Mendes. Como intérpretes estão Marco da Silva Ferreira e Sylvia Rijmer.

   O espectáculo assenta na ideia de que qualquer movimento biomecânico visível começa algures dentro do corpo e que a exteriorização desse movimento surge em resposta a um estímulo lançado pelo sistema nervoso. Este selecciona uma resposta comportamental, programando e executando o movimento adequado.

   Esta performance de Sylvia Rijmer pretende mostrar todos os passos do movimento biomecânico, explicando e ilustrando um movimento relativamente simples, como dobrar um pulso, até executar movimentos complexos que interligados formam uma frase de dança, uma coreografia.

   É o que mostra este excerto convidativo (teaser) :

 

 

 

 

 

   Nesta Sexta 19 de Outubro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 19h, numa iniciativa da Embaixada de Cuba em Lisboa haverá, com entrada livre, um Recital de Música Cubana.

   O interveniente será o cantautor cubano Polito Ibáñez cujo programa, embora ainda não conhecido, deverá assemelhar-se ao circuito que o cantor tem vindo a fazer desde o Verão interpretando poemas musicalizados de criadores e bardos cubanos como Eliseo Diego, Miguel Barnet, Nancy Morejón ou Reynaldo González.

   Deixamos-lhe a cancion “Recuento” do seu novo álbum (a sair) “Ante tus Ojos” :

 

 

 

   Igualmente na Sexta 19 de Outubro, às 21h30, dar-se-á no Institut Français de Portugal o concerto delançamento do disco“Ouija”, o primeiro do agrupamento“Reunion Big Jazz Band”.

   Formada em Fevereiro de 2003 por três amigos amantes do Jazz (a saber Fernando Soares saxofone tenor, Manuel Lourenço saxofone tenor e flauta e Francisco Costa Reis guitarra eléctrica) e dirigida largos anos pelo consagrado maestro Claus Nymark, a “Reunion Big Jazz Band”, orientada musicalmente desde 2011 pelas mãos e talento do trompetista e compositor Johannes Krieger coadjuvado por Dan Hewson, também compositor e pianista da banda, inclui neste seu primeiro álbum cinco temas originais e três versões de clássicos como Jeaninne de Duke Person, consubstanciando a sua original música de fusão dos universos europeu, africano e norte-americano.

   Ouçamo-los no ano passado tocando Fables of Faubus de Charles Mingus : 

 

 

 

 

   Entretanto no Ondajazz, às 22h30 desta Sexta 19 de Outubro, actua o cantor Manuel Linhares, com uma sonoridade fortemente marcada pelo jazz, acompanhado por Paulo Barros ao piano, Rui Teixeira no saxofone e clarinete, João Paulo Rosado no contrabaixo e Filipe Monteiro na bateria. Um quinteto que se destaca pela qualidade individual de cada elemento, traduzindo-se “numa formação de grande coesão, onde a sensibilidade musical e virtuosismo técnico se reúnem na criação deste novo projecto musical português”, assim é anunciado.

   Temos um registo da presença de Manuel Linhares no Angra Jazz 2011 cantando “Pennies from Heaven” :

 

 

 

    Por último na Sexta-feira 19 de Outubro estreia no Teatro Taborda (Rua da Costa do Castelo, nº 75), às 21h30, a co-produção do Teatro da Garagem/Companhia de Teatro de Almada intitulada Quem é Hécuba para ele e ele para Hécuba?”, de Adriana Aboim que assegura a direcção artística. Permanece até Domingo 21.

   São intérpretes e co-criadores João Aboim, João Almeida, João Estevens, Maria Leite, Olivia Funnuel, Sara Leite e Tiago Mansilha.

   Sinopse : “ Na tragédia de Eurípides, Hécuba surge sozinha, no meio da destruição provocada pela guerra de Tróia, perdida nas ruinas do reino que viu nascer. Sem justificação coerente, sem preparação, vê partir aqueles que mais ama: o marido Príamo com quem viveu toda a vida, a filha Polixena sacrificada às mãos do inimigo, o filho Polidoro morto à traição, e todos os outros filhos que gerou. Hécuba personifica a mãe, a fertilidade, como uma grande incubadora que prepara vidas, que prepara o futuro testando assim a própria mortalidade. No entanto, toda esta esperança de vida é destruída pela crueldade dessa mesma vida, por opções humanas estéreis como a ganância, a sede de poder e outras fraquezas que confrontam o homem em toda a sua incoerência. Como sobreviver quando todos os alicerces são destruídos, as crenças desfeitas, quando o nada justifica o nada, quando tudo vale na corrida da sobrevivência? Como agir? “

   A Companhia esclarece que “…N(o) processo de trabalho não partimos com o intuito de representar esta tragédia clássica, ou seguir a sua estrutura formal, mas antes tomá-la como ponto de partida para uma reflexão mais vasta sobre temas e questões que nos assaltam e interpelam   como a solidão, o sofrimento, a guerra, a pressão política e social, a vingança e a justiça, a humanidade/animalidade, o masculino/feminino, o activo/passivo, as responsabilidades e as escolhas, o poder, a opressão, a capacidade e a possibilidade de acção, a liberdade …”

   Este vídeo do Teatro de Almada induz o ambiente da peça :

 

 

 

  

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui )

 

 

 

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