GAIATO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

– Lembras-te do que a utopia de Marx fez na Rússia? É esse o paraíso que tu queres? Uma classe de burocratas a viver à custa dos proletas? E olha que nesse tempo os coitados ainda eram necessários ao progresso. Hoje em dia é que já são dispensáveis, só atrapalham. Na Rússia soviética nem sequer tinhas a liberdade de escolher emprego. Quanto mais a de escolher os dirigentes… Mas aqui tu tens toda a liberdade de escolher. Se és um saudosista e queres abrigar no jardim zoológico do Estado Providência algumas espécies de trabalhadores em vias de extinção, nesse caso votas mais à esquerda! Mas se depois acordares e antes preferires o dinamismo da Livre Empresa, nesse caso votas mais à direita, alternância.

Concordo:

– Alternância, pois claro. Umas vezes levo uma coça, outras vezes levo uma esfrega. Patrões de todo o mundo, uni-vos! que a maralha fica de fora…

Gaiato! Assim me chama antes de continuar o seu discurso. Ele a falar e eu a lembrar-me do Norbert Wiener, contraponto:

– Afonso, se um ser humano for condenado a repetir indefinidamente a mesma função restrita, não chegará sequer a ser uma boa formiga quanto mais um bom ser humano… Aqueles fascistas que em nome da eficiência nos querem organizar como se fôssemos formigas, estão a atirar pela borda fora todas as nossas faculdades inatas de adaptação e de aprendizagem. Mas Afonso, meu jovem Afonso, estamos a entrar na época da gloriosa expansão das potencialidades humanas.  

In LIANOR

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