POESIA AO AMANHECER – 66 – por Manuel Simões

Franco Loi – Itália

( 1930 –    )

MAS QUE QUER DIZER CONHECER?”

Mas que quer dizer conhecer? o que são as estrelas

como longínquo respirar de mundos apagados?

que têm um nome? que o que é a sua essência

ansiamos compreender? que já o pensámos?

E se a conhecer são elas, é delas o amor

que ao atravessar a noite treme por nós?

ou nós, por raiva ou por doença

a caminhar como os vermes condenados,

sobre esta terra prouramos a mentira

com os olhos sobre os livros, atrás das lentes loucas?

Nós sabemos que um nada, uma coisa brilha no alto

e basta levantar a cabeça p’ra sentir alegria.

Conhecer quer dizer olhar e enamorar-se.

E, talvez, antes disso, nós o soubéssemos

nos olhos de quem primeiramente nos olhou,

e antes ainda naquele mistério do mundo

lá onde as estrelas que brilham talvez permaneçam.

Assim, no querer-se bem, talvez esteja o conhecer.

(de “Bach”, versão de Manuel Simões)

Faz parte do grupo de poetas dialectais da segunda metade do séulo XX, escrevendo num milanês, bastardo e contaminado, que se distancia do dialecto “puro” de outros autores. Faz a sua estreia com “Stròlegh” (1975), a que se seguiram, entre outros: “Teater” (1978), “L’angel, parte I” (1981), “Bach” (1986), “Liber” (1988), Umber (1992), “Verna” (1997), “Amur del temp” (1999), “Isman” (2002), “Aquabella” (2004).

 

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