Franco Loi – Itália
( 1930 – )
“MAS QUE QUER DIZER CONHECER?”
Mas que quer dizer conhecer? o que são as estrelas
como longínquo respirar de mundos apagados?
que têm um nome? que o que é a sua essência
ansiamos compreender? que já o pensámos?
E se a conhecer são elas, é delas o amor
que ao atravessar a noite treme por nós?
ou nós, por raiva ou por doença
a caminhar como os vermes condenados,
sobre esta terra prouramos a mentira
com os olhos sobre os livros, atrás das lentes loucas?
Nós sabemos que um nada, uma coisa brilha no alto
e basta levantar a cabeça p’ra sentir alegria.
Conhecer quer dizer olhar e enamorar-se.
E, talvez, antes disso, nós o soubéssemos
nos olhos de quem primeiramente nos olhou,
e antes ainda naquele mistério do mundo
lá onde as estrelas que brilham talvez permaneçam.
Assim, no querer-se bem, talvez esteja o conhecer.
(de “Bach”, versão de Manuel Simões)
Faz parte do grupo de poetas dialectais da segunda metade do séulo XX, escrevendo num milanês, bastardo e contaminado, que se distancia do dialecto “puro” de outros autores. Faz a sua estreia com “Stròlegh” (1975), a que se seguiram, entre outros: “Teater” (1978), “L’angel, parte I” (1981), “Bach” (1986), “Liber” (1988), Umber (1992), “Verna” (1997), “Amur del temp” (1999), “Isman” (2002), “Aquabella” (2004).

