POESIA AO AMANHECER – 67 – por Manuel Simões

Alda Merini – Itália

( 1931  – 2009 )

“DEVORA-ME COM O TEU CANTO OS OMBROS”

Devora-me com o teu canto os ombros

como se fosse uma remota colina

que vive solitária

no meio de mil montanhas.

O frio desta gente

que aperfeiçoa o seu ódio

sobre o meu passado de artista

a sua comunhão secreta

com o delito, a sua mente vazia,

são cúmulos de ruínas de guerra

sobre as quais disparaste

o teu extravio de homem.

(de “Superba è la notte”, versão de Manuel Simões)

Poetisa com um sistema poético singular, marcado por perturbações psíquicas, com registos que vão da doçura à irreverência, da explosão violenta ao desespero e ao delírio, já desde “La presenza di Orfeo” (1953). Regressa à escrita com “Terra Santa” (1979), publicando a seguir: “Destinati a morire” (1980), “Testamento” (1988), “Vuoto d’amore” (1991), “Ballate non pagate” (1995), “Superba è la notte” (2000), “Poemi eroici” (2003), “Clinica dell’abbandono” (2004). Em português pode encontrar-se “A Terra Santa” (Cotovia, 2004), com tradução de Clara Rowland.

(tradução de Egito Gonçalves)

Nasceu em Barcelona. Traduziu, para castelhano, o poeta italiano Cesare Pavese. Da sua obra poética destacamos: “El retorno” (1955), “Salmos al viento” (1958), “Claridad” (1959), “Años decisivos” (1961), “Del tiempo y del olvido” (1977), “Sobre las circunstancias” (1983), “Cadernos de El Escorial” (1995).

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