EDITORIAL: O NEW YORK TIMES ESTÁ EM QUEDA NA BOLSA

 

Lê-se na imprensa que um jornal, o New York Times (um jornal com um grande currículo, permitam que se diga assim) tem as corações a descer na bolsa. Aparecem as explicações: que as receitas de publicidade têm diminuído, que o novo director-geral é Mark Thompson, que veio da BBC, e que esta cadeia está com problemas, por causa dos abusos sexuais que teriam sido cometidos sobre menores por Jimmy Saville, um antigo animador da cadeia britânica. O New York Times bem que responde que Mark Thompson nada fez para abafar o caso, e que, por outro lado, o número de assinantes on-line do jornal tem aumentado significativamente, trazendo um aumento de receitas que compensa a quebra na publicidade. Não chega: a quebra no valor das acções, considerada como inesperada, é de mais de vinte por cento. O montante do volume de negócios acuda uma ligeira descida.

Pois, mas perguntamos nós, que não ofende: o que faz o New York Times na bolsa? Responderão: se calhar foi lá ver se ganhava uns dinheirinhos para uns investimentos. A Viagem dos Argonautas não tem em grande conta os mecanismos da bolsa, e tem a impressão de que o New York Times teria feito melhor em jogar no euromilhões, que sai muitas vezes no estrangeiro, e assim pelo menos a nossa Santa Casa da Misericórdia de Lisboa sempre ganhava qualquer coisa com o negócio, embora não tenhamos muita confiança no Provedor, o Dr. Santana Lopes.

Na realidade, esperamos sinceramente que estas notícias não sejam maus prenúncios sobre a vida futura de tão prestigiado jornal. Serge Halimi, no editorial do Monde Diplomatique de Outubro passado, “Deixámos de ter tempo…”, lamentava as ameaças que pesam sobre o futuro dos jornais e dos jornalistas, parte delas vindas mesmo das novas tecnologias da informação. Nós pensamos que, mais do que as novas tecnologias, que muitas vezes até podem ser utilizadas de maneira a favorecer os jornais e o jornalismo, a grande ameaça que pesa sobre a comunicação social é a dos mercados financeiros, que cada vez mais procuram impor os seus interesses, e não apenas os seus interesses puramente económicos. Muito claramente procuram servir os interesses de quem os domina.

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