O VINHO DESDE SEMPRE (Idade Média) por clara castilho

Depois de termos visto como o vinho foi sendo utilizado pela sociedade até à Idade Média, vejamos como o foi nessa época. Lembremos que a Igreja Católica passou a ser a detentora das verdades humanas e divinas. Felizmente, o simbolismo do vinho na liturgia católica faz com que a Igreja desempenhe, nessa época, o papel mais importante do renascimento, desenvolvimento e aprimoramento dos vinhedos e do vinho. Assim, nos séculos que se seguiram, a Igreja foi proprietária de inúmeros vinhedos nos mosteiros das principais ordens religiosas da época, como os franciscanos, beneditinos e cistercienses (Ordem de São Bernardo), que se espalharam por toda Europa, levando consigo a sabedoria da elaboração do vinho.

Os hospitais também foram centros de produção e distribuição de vinhos e, à época, cuidavam não apenas dos doentes, mas também recebiam pobres, viajantes, estudantes e peregrinos.

Também as universidades tiveram seu papel na divulgação e no consumo do vinho durante a Idade Média. É interessante observar que é da idade média, por volta do ano de 1.300, o primeiro livro impresso sobre o vinho:”Liber de Vinis”. Escrito pelo espanhol ou catalão Arnaldus de Villanova, médico e professor da Universidade de Montpellier.

(Trechos extraídos da obra de Hugh Johnson “The Story of Wine” da editora Mitchell-Beazley, Londres, 1989).

Iluminura com “A Vindima” e fabrico do vinho , do Códice do séc. XII (1198) conhecido por Apocalipse do Lourvão. O mais antigo documento iconográfico português de temática vinária, encontrado no velho manuscrito insólito do Mosteiro do Lourvão

 O Apocalipse do Lorvão é um manuscrito iluminado produzido no fim do século XII, possivelmente no Mosteiro do Lorvão, em Portugal. Actualmente está preservado na Torre do Tombo. Possui 112 folhas em pergaminho, com diversas ilustrações em estilo românico-moçárabe é uma das raras obras em seu género sobreviventes da Idade Média portuguesa.

 

José Malhoa

Embriaguemo-nos

É preciso estarmos sempre embriagados. Nada mais importa. Para que o horrível fardo do tempo não nos pese sobre os ombros e nos faça pender para a terra, devemos embriagarmo-nos sem cessar.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, escolhei. Mas embriaguemo-nos!

E se por vezes, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma valeta, na solidão baça do nosso quarto, acordarmos, com os efeitos da embriaguez já diminutos ou desaparecidos, perguntarmos as horas  ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se move, eles responderão: “São horas de vos embriagardes! Para que não serdes os escravos martirizados do tempo, embriagai-vos,  embriagai-vos sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude. Escolhei.”

Charles Beaudelaire

Leave a Reply