CARAMURU – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

Diogo Álvares Correia nasceu em 1476 em Viana do Castelo, cidade junto à foz rio Lima, no norte de Portugal. Desde a adolescência que lhe apetece o além, a aventura. Mas já tem cerca de 33 anos quando consegue ser engajado numa expedição à Terra de Vera Cruz. Por azar, o navio naufraga frente ao Rio Vermelho, na Bahia de Todos os Santos. A maior parte dos tripulantes morre afogada. Os que, a nadar, conseguem chegar a terra, são abatidos, esquartejados, assados e comidos pelos índios Tupinambá.


Atordoado, Diogo verifica que os índios não o atacam, limitam-se a rir do seu aspecto, as roupas encharcadas e cobertas de sargaços coladas ao corpo. Dão-lhe até o divertido nome de CARAMURU, que significa moreia, um peixe de aspecto gelatinoso que vive entre os recifes à beira-mar, Porquê esse tratamento tão diferenciado? Diogo conclui que, além de ser muito alto, está muito magro. Portanto não é um bom petisco para os canibais. Irá para a engorda, inevitavelmente. Tem é que saber aproveitar a oportunidade para ultrapassar o perigo que o ameaça.

 

Diogo não tenta fugir nem recusa qualquer comida com que tentam empanturrá-lo. Mas, ao mesmo tempo, vigia o que, do naufrágio, o mar vai atirando à praia. Por isso, sem dar nas vistas, recolhe um mosquete, algumas munições e um pequeno barril de pólvora. Deixa que tudo seque ao sol. Quando todo o material já está em condições, Diogo dispara um tiro certeiro e abate um pássaro que voava sobre a sua cabeça. Os índios ficam espantados com o estrondo e a pontaria e dão um novo nome a Diogo: FILHO DO TROVÃO. Aterrorizado, o próprio cacique Taparica ajoelha-se em reverência, submissão a um súbito deus que antes fora humilhado com o nome CARAMURU.

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