EDITORIAL – Damos quase dois milhões de lucro por dia à Alemanha!

Ferreira de Castro, no seu romance A Selva, conta a história de, Alberto, um jovem português que, imigrado no Brasil, vai trabalhar num seringal, perdido no coração da Amazónia. Juca Tristão, o patrão, vende a crédito aquilo de que os trabalhadores necessitam para sobreviver e quando se fazem contas, os trabalhadores devem-lhe sempre dinheiro – ou seja, é criado um sistema de escravatura. Os trabalhadores não podem abandonar a plantação, pois a dívida vai aumentando de mês para mês.

Pelas notícias de hoje, ficamos a saber que a Alemanha em 2011 ganhou diariamente 4,4 milhões de euros com o que exportou para Portugal e que, apesar da quebra verificada este ano, ainda lucrou, entre Janeiro e Agosto, 1,9 milhões por dia com o que lhe compramos. Costuma dizer-se que o cliente tem sempre razão, mas isso não acontece neste caso. A patroa da plantação veio ontem visitar os clientes/escravos – uma visita de soberana.

Houve por aí um movimento para não se comprar nada que fosse produzido na Alemanha. Não deu resultado, pois no momento de comprar cada um compra o que lhe parece mais favorável. A cadeia de supermercados Lidl continua a fazer bom negócio. Mas era uma boa ideia. A dona Angela que fosse vender as suas mercadorias para outro lado – na China, por exemplo.

No livro de Ferreira de Castro, Alberto envolve-se sentimentalmente (por assim dizer) com a esposa do facínora. Vingança que não é sedutora no caso da Alemanha se a “esposa” do patrão é a senhora dona Angela. Talvez o dever patriótico possa ser invocado…

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