DORMIR, MAS ONDE ? por clara castilho

Depois de ter falado sobre o sono e a importância de dormir, lembrei-me de um assunto mais leve, mas também divertido, que é rever como foi a evolução das camas.

Com dormiam os homens na pré-história? No chão, certamente. Ainda hoje, em certas civilizações se dorme em “camas” de folhas de árvore a um canto das casas. É na civilização egípcia e mesopotâmica que se encontram registos de camas, aparecendo estas como dobráveis e feitas em madeira. Já na civilização dos romanos, estes passaram a adoptar camas semicirculares, postas ao redor de mesas.

Foi preciso chegar à Idade Média para que as camas começarem a ser colocadas em locais mais reservados, como nos quartos. Os europeus, devido ao clima, importaram o uso dos persas, com uma protecção, uma espécie de cortina apoiada por colunas de madeiras – o dossel. Só século XVIII, as camas de ferro tiveram o seu império.

Por seu lado, os colchões passaram de serem feitos com casca de ervilhas, palha e penas dentro de espessas membranas, posteriormente forradas com veludos, sedas e brocados. Não esqueçamos que pulgas, piolhos e percevejos eram companhia habitual. Foi com a introdução de colchões de couro que se tentou bani-los.

Conta-se, por exemplo que Luís XIV era muito apegado à cama, fazendo sessões da Corte no que quarto. Encontrei a referência de que terá tido 313 camas, gostando muito das mais espaçosas e espalhafatosas.

Na Europa antiga, a cama era um armário fechado que combinava as funções de cama, armário e banco. As camas eram colocadas em fila contra as paredes laterais, ficando em frente um aquecedor ou lareira, para que o frio se fizesse notas menos.

 Hoje, aqui no país à beira mar plantado, temos as camas do gigante IKEA, iguais em todas as casas. Perdi a conta a quantas camas dormi. Já quantas tive sou capaz de me lembrar – umas de ferro, outras de madeira. Umas uniformizadas, outras feitas por encomenda. Também ainda me lembro de colchões de palha, em casas de campo. Nada confortáveis, por sinal…

A situação mais divertida foi aí pelos meus 10 anos, em Canas de Senhorim, onde passei umas noites na casa senhorial, propriedade do casal Keil do Amaral. A cama com dossel fez as minhas delícias e as de minha prima, onde revivemos as histórias de príncipes e princesas. Hoje, preocupo-me mais com o facto de a cama ser baixa e de, daqui a uns anos, me ir defrontar com a dificuldade em me levantar.

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