José Afonso, um amigo da nação galega

 

José Afonso e Benedicto Garcia, 

Círculo Mercantil de Santiago, 

Março de 1983

A qualidade de músico e poética de José Afonso, a par com a amizade e o apoio solidário que sempre deu ao povo galego, fizeram com que fossem muitos os músicos e cantores galegos que a interpretar directamente temas de José Afonso ou que dizem terem na sua obra uma fonte de inspiração; entre tantos outros Benedicto, Bibiano, Miro Casabella, Xico de Carinho, Uxia Senlle, os grupos Candieira, Luar na Lubre, Faltriqueira.

Eis, por exemplo, Tu Gitana (do álbum Galinhas do Mato, de José Afonso sobre cancioneiro de Vila Viçosa) numa interpretação do grupo galego Luar na Lubre que daquele fez também seu.

 

Júlio Pereira (músico e amigo do Zeca) conta a história dum acontecimento passado na Galiza que mostra bem como o Zeca se empenhava e como respeitava e levava a sério a música e as pessoas; também por isso era difícil não gostar dele:

Era uma vez na Galiza, anos oitenta. Um concerto de José Afonso em Cangas de Morrazo (perto de Vigo) num velho teatro municipal. Acompanhava-o eu, Henri Tabot e Guilherme Inês. Chegados à hora do espectáculo, deparámo-nos com um público, a meio da plateia, de seis pessoas! A minha reacção (suponho que a dos meus colegas) foi a de não tocar. E o Zeca disse não! Tocados os 17 ou 18 temas ensaiados pelo grupo, José Afonso pegou na viola e sozinho, tocou cantando mais oito temas entre os quais “Catarina” – a primeira vez que o ouvi cantar assim. Estranho. As seis pessoas de pé aplaudiram incansavelmente José Afonso e durante muito tempo. Como se a sala estivesse cheia. Só mais tarde percebi que o Zeca, nesse dia, tinha deixado seis amigos na Galiza.”

 

 

 

A mensagem gravada por José Afonso para uma das muitas homenagens que lhe prestaram na Galiza – a realizada em Vigo a 31 de Agosto de 1985 – é em si elucidativa do sentimento que o Zeca nutria pelas gentes e terra irmã: “… Aproveito esta oportunidade para uma vez mais afirmar a minha grande amizade pela terra e o povo galegos, com que ao longo dos anos mantive as melhores relações, e para manifestar também a minha inteira solidariedade com a luta pelo reconhecimento efectivo da língua e cultura galegas como uma das mais ricas da península…”

 


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