Este seria o tema natural para o editorial de hoje – Ontem, no acto solene de abertura de um seminário internacional organizado pelo Sistema de Informações da República, na reitoria da Universidade Nova, em Lisboa, alguns estudantes, levantaram-se e, em silêncio, abriram uma faixa a toda a largura do anfiteatro . Dizia – DEMIITE-TE. Numa atitude teatralmente generosa, Passos Coelho interrompeu o discurso e pediu aos seguranças que não expulsassem os estudantes e pediu ao Serra (o chefe dos seguranças) «que deixasse os senhores ostentarem o cartaz sem nenhum problema, porque vivemos, felizmente, numa situação boa, de saúde da nossa democracia, e não vemos nenhuma razão para que os senhores não possam ostentar as faixas que entenderem», e prosseguiu com a sua intervenção.
Como se diz na linguagem das odiosas touradas, Passos Coelho deu um desplante. Assumiu uma posição de nobreza que naquilo que é essencial não demonstra e que contém a arrogância do toureiro que, sabendo (ou supondo) o animal dominado, se permite ignorá-lo. E dizer-se que a nossa democracia vive numa situação boa é um dislate de todo o tamanho – a «nossa democracia» vive o pior momento desde que, em 1974, foi recuperada. Este seria o tema a escolher para o editorial de hoje.
Preferimos meditar sobre a natureza da «nossa democracia». Nossa – está bem dito, porque Passos Coelho se devia estar a referir ao círculo de políticos, ao circo de animais amestrados de que faz parte, com os domadores de Bruxelas, de Berlim ou Washington, a orientar-lhes as habilidades. E para não nos alongarmos e repetirmos o que temos dito numerosas vezes, deixarmos-vos com um actor americano que sobre a «nossa democracia» e os nossos políticos, diz o essencial. Pode ser que, dito por ele, seja mais convincente.

