Pentacórdio para Segunda 10 de Dezembro

por Rui Oliveira

 

 

encontros-imaginc3a1rios-10-de-dezembro   Desenha-se novo início de semana frugal, talvez antecipando a habitual pausa natalícia. Assim na Segunda-feira 10 de Dezembro como espectáculo criativo do dia teremos de ir ao Bar A Barraca, às 21h30, ouvir mais um dos “Encontros Imaginários”, ditos local de “confronto de ideias através de personagens marcantes da História da Humanidade”, agora personificados em Viriato, Tito e Rodrigues Sampaio representados respectivamente por Adérito Lopes, Sérgio Moras e João d’Ávila, sempre com autoria e moderação de Hélder Costa.

   Este justifica a escolha “são 3 símbolos da luta pela liberdade e independência … (nesta hora de) massacre fiscal  a que nos sujeitam e à situação de protectorado …  em que Portugal se encontra”.

   Viriato foi um dos líderes da tribo lusitana que combateu os romanos na Península Ibérica.  Pertencia à classe dos guerreiros, a ocupação da elíte, a minoria governante . Na tradição romana os antepassados mais ilustres eram pastores e Viriato é comparado àquele que teria sido o pastor mais ilustre que se tornou no rei de Roma, Rómulo.

chefe_de_josip_broz_tito_do_marechal_poster-r3b26f2489ef4410f8003deeb1c31bc6a_bxw_325   Josip Broz Tito (1892 -1980) foi líder dos partisans durante a Segunda Guerra Mundial e mais tarde presidente da Jugoslávia durante grande parte da existência do país enquanto república socialista. Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu na infantaria austro-húngara e foi feito prisioneiro na Rússia. Escapou e lutou pela Revolução Russa. Após a invasão alemã da Jugoslávia (1941), Tito organizou as forças guerrilheiras na Frente de Libertação Nacional. A desunião entre os jugoslavos foi superada em nome da expulsão do invasor nazi. No fim da guerra, ele surgiu como o líder do novo governo federal.

250px-Rodrigues_sampaio_de_bordallo   Ao rejeitar a tentativa de Estaline de controlar ideologicamente os Estados comunistas da Europa oriental, Tito tornou-se um dos principais expoentes do não-alinhamento durante a Guerra Fria.(à esq. em 1944 nos Partisans)

   António Rodrigues Sampaio (1806 – 1882) foi um jornalista e político português que, entre outras funções, foi deputado, par do Reino, ministro e presidente do ministério (primeiro-ministro). Foi um agitador de renome nacional, o que lhe valeria a alcunha de “o Sampaio da Revolução”, já que se notabilizou como redactor principal do periódico “A Revolução de Setembro”. Foi esta postura de grande escrúpulo, associado a um incansável labor na defesa dos valores pelos quais pugnava, que lhe concede um lugar cimeiro no jornalismo político português. Era membro importante da Maçonaria. (à dir. no “Album das Glórias” de Rafael Bordallo Pinheiro)

 

 

 

    Aos cinéfilos, para lá da oferta normal, como ciclos especiais, além dos “Filmes sobre Arte” em exibição no Museu Nacional de História Natural e Ciência que ontem noticiámos (ver “Pentacórdio para Domingo”), resta a retrospectiva (quase integral) do Cinema Nimas, a propósito do premiado “Amour”, sobre a obra de Michael Haneke ou a relativa a Alain Cavalier, em curso desde há semanas no Institut Français de Portugal.

 

cartaz le temps   No primeiro caso, o filme que o Nimas exibe às 21h30 é “Le Temps du Loup”(O Tempo do Lobo) (França, 2003) de Michael Haneke com interpretações de Béatrice Dalle,  Isabelle Huppert,  Maurice Bénichou,  Patrice Chéreau e Rona Hartner nos papéis principais.

220px-Michael_Haneke_2009   Sinopse : Uma mulher, o seu marido e os dois filhos, Ben e Eva, fogem da cidade onde vivem na sequência de uma catástrofe, para se refugiarem na sua casa de campo. Após ter sido aceita num grupo de refugiados liderados por um traficante de água e sexo, Anna precisa de proteger os seus filhos expostos às selvagerias da condição humana, enquanto esperam um comboio de existência duvidosa que supostamente os conduzirá a algum lugar seguro.

   Esclareça-se que O tempo dos lobos foi um título extraído do Cântico do visitante, que por sua vez é uma parte do Codex Regius, considerado o mais antigo poema alemão, dedicado a descrever o Ragnarök. Nesse “crepúsculo dos deuses” da mitologia nórdica, um grande conflito deflagraria ferozes desastres naturais como um prelúdio do fim do mundo.

   Eis o trailer assaz sugestivo :

 

 

   Quem se deslocar ao Institut Français verá a segunda série dos “Douze Portraits” de Alain Cavalier que, como dissémos no Pentacórdio para Segunda 3 de Dezembro aborda uma galeria de retratos íntimos de mulheres no trabalho − 12 retratos de 13 minutos em qualquer das séries.

illusionnsitela romancière   Aquele que se não considera “… um documentalista, antes um amante de rostos, de mãos, de objectos …” retrata aqui profissões ou misteres que vão desde a florista, a vendedora de jornais, a optometrista, a sopradora de vidro, a afinadora de pianos, a espartilheira, a cevadora de gansos, a comerciante em roulotte, a sapateira e a arqueira até à romancista (à dir.) ou a ilusionista de 83 anos (à esq.).

   É destas duas últimas que obtivémos filmes-exemplo para o leitor avaliar os méritos do cineasta francês que, lamentavelmente, não são transmissíveis fora do território francês (!). Resta o excerto único da profissão de amoladora (la “remouleuse”) que já reproduzimos no Pentacórdio de Segunda passada.

 

 

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   Em dia de museus encerrados, sugerimos (contando que esteja aberta) a visita à exposição que encerra a 4 de Janeiro (2013) do fotógrafo Paulo Nozolino intitulada “Usura” e que se encontra na Galeria BES Arte e Finança (Praça Marquês de Pombal, nº 3).

Paulo Nozolino   Compôe-se de nove trípticos de fotografias a preto e branco, com a particularidade de ser a primeira mostra em que o fotógrafo reune a quase totalidade dos trípticos que fez até hoje.

nozolino vista da exposição   Diz o critico Sérgio Mah que “… muito para além duma reacção ao contexto actual de crise económica e financeira, a exposição “Usura” ensaia um incisivo comentário crítico sobre alguns dos acontecimentos mais trágicos e traumáticos da história moderna e contemporânea. Através das imagens e títulos de cada tríptico encontramos referências mais ou menos explícitas ao Holocausto, ao declínio da Europa, à invasão do Iraque, ao atentado às torres gémeas e à catástrofe de Chernobyl, mas também a temas menos concretos no tempo e no espaço como o desaparecimento do mundo rural, a religião, a morte e a emigração…”.

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colóqio rousseaurousseau discours de l'inegalité   Por último, para interessados em eventos científicos de acesso geral, tem início nesta Segunda-feira 10 de Dezembro (encerrando Quarta 12) na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, um colóquio internacional “Jean-Jacques Rousseau: o Homem, a Obra, o Pensamento” por ocasião da comemoração dos 300 anos do nascimento deste pensador.

   O seu objectivo é dar conta das várias dimensões da obra e personalidade de Jean-Jacques Rousseau, acolhendo e provocando cruzamentos disciplinares e abordagens transversais. rousseau Do contarto socialSerão contemplados neste colóquio os seguintes tópicos: a) Rousseau e a literatura do eu e das emoções; b) Poética e retórica na obra de Rousseau;  c) Rousseau e os filósofos do seu tempo; d) Pensamento pedagógico de Rousseau; e) Pensamento social e político de Rousseau; f) Pensamento filosófico de Rousseau: Antropologia, Ética e Teologia; g) Pensamento estético de Rousseau: Teoria e estética musical, Teoria e estética teatral; h) Obra musical e operática – Rousseau e o naturalismo setecentista: Ideia de natureza e estado de natureza, Estética da natureza; i) Recepções da obra e pensamento de Rousseau.

   Chamamos a atenção nesdte 1º dia para a conferência no Anfiteatro III de Alain Vergnioux sobre “Circulation du langage et emboîtement des voix” (às 9h15) e no mesmo Anfiteatro III a  Conferência de Rui Vieira Nery sobre “«Le Devin du Village»: Rousseau e a estética do Natural na Música” (às 15h).

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui )

 

 

 

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