CONTINUAREMOS A LUTAR – por Vasco Lourenço

Continuamos a publicar artigos transcritos do REFERENCIAL nº 107. Este texto do coronel Vasco Lourenço e o que publicaremos a seguir, do coronel Carlos de Matos Gomes, fazem parte da homenagem prestada pelo REFERENCIAL à memória do general Augusto Monteiro Valente –  Moisés Cayetano Rosado publicou no nosso blogue um comovico e interessante  artigo sobre este «capitão de Abril»  – (http://aviagemdosargonautas.net/2012/09/05/morreu-o-capitao-de-abril-augusto-monteiro-valente-por-moises-cayetano-rosado/)

É com enorme dificuldade e maior angústia que estou a alinhar umas simples palavras, sobre o Augusto José Monteiro Valente. Ainda não recuperei do enorme soco no estômago que levei, quando a Natércia Coimbra me telefonou a dizer que o nosso amigo Monteiro Valente falecerá há menos de meia hora. Custou-me acreditar. Estivera com ele, pela última vez, na inauguração do magnífico monumento ao 25 de Abril que um grupo de almeidenses (penso que é assim que se diz), liderados pelo grande Carlos Esperança, decidiram erigir em Almeida.

Recebera, no dia anterior, um e-mail seu a enviar-me alguns dados sobre essa inauguração, para publicar no nosso “Referencial”. Como era possível, então essa situação?

Pois é, quiseram os deuses e quis o próprio Monteiro Valente que assim acontecesse. E assim partiu, fisicamente, um dos principais militares de Abril, sempre coerente, desde a primeira à última hora, com os ideais que nos lançaram, há quase quarenta anos, numa aventura colectiva que mudou radicalmente, para melhor, a vida dos portugueses e ficou na História do nosso Portugal e, também, na História universal.

Mas, para mim, partiu também um grande amigo, com quem partilhava uma profunda amizade, alicerçada no respeito mútuo e numa convivência feita de muitos momentos extremamente ricos, mesmo que às vezes bem difíceis de ultrapassar.

Nas últimas conversas que tivemos, discutimos muito a actual situação do nosso país, onde o nosso povo volta a sentir enormes dificuldades, porque lhe estão a roubar as conquistas que Abril lhe trouxe, porque estão a destruir o sonho lindo que acalentámos, todos em conjunto, há trinta e oito anos. Dissemos então, um ao outro, que por muito que estivéssemos a desiludir-nos, por muito que nos angustiasse a situação que vivíamos e o futuro que se vislumbrava, não nos arrependíamos do que tínhamos protagonizado, na gesta que nos levou a lançar e a envolver-nos na Revolução dos Cravos.

Continuávamos a considerar que tinha valido a pena, tendo que fazer esforços para não desistirmos, para continuar a luta, contra os novos tiranos que querem destruir o 25 de Abril e voltar a impor aos portugueses um regime sem liberdades, numa sociedade de submissos e não de cidadãos.

Pois bem, caro amigo Monteiro Valente, partiste, deixaste-nos menos fortes, mas com a tua presença espiritual, continuaremos a lutar contra os tiranos, por mais camuflados que se apresentem! A tua memória, assim como a de outros companheiros que te antecederam na partida para o Oriente Eterno, assim no-lo impõe.

Esperamos continuar a ser capazes nessa luta, em defesa dos valores de Abril. Um grande, enorme abraço e… até um dia…

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