A austeridade foi-nos imposta com uma série de pretextos. O equilíbrio das contas públicas, a competitividade, a confiança dos mercados, e outras ideias quase todas elas bastante vagas. A única que realmente é palpável é a primeira, o equilíbrio das contas públicas. Para o resolver (será que pretende mesmo resolvê-lo?), para começar, usou duas estratégias clássicas: culpar os seus antecessores, a primeira, cortar salários e benefícios sociais a segunda. A seguir, muito rapidamente, passou a uma segunda fase, que inclui destruir a parte produtiva do sector público, que ficará entregue aos grandes detentores do capital (incluindo estados de outros países e amigos) e disciplinar (do seu ponto de vista, evidentemente) as classes trabalhadoras e a restante população.
Uma série de questões vêm por arrasto, claro, a começar pelo controlo da comunicação social. O que se está a passar na RTP é paradigmático desta situação que nos é imposta. A televisão, em todos os países, é o meio mais poderoso para a manipulação ideológica. Portugal não é excepção. Os episódios em curso no que respeita à sua privatização provam-no cabalmente. Agrava a situação os governantes portugueses, ansiosos por mostrarem zelo aos seus mentores ideológicos, quererem ir mais longe do os seus pares noutros lados.
Outra questão é a reforma administrativa. A partir de uma referência no memorando da troika, desencadeou-se uma operação de concentração de poderes em poucas mãos, que vai agravar consideravelmente problemas há muito detectados: como o abandono do interior do país e o autismo dos serviços públicos. Para além disso, procura-se evidentemente diminuir o número de intervenientes na vida política. Não por motivos económicos, ao contrário do discurso oficial. Mas para limitar o acesso ao poder político, aos vários níveis, de pessoas e forças políticas discordantes da governação neoliberal. Ainda por cima, governação neoliberal à portuguesa.

