“O FADO DAS VIDAS IMPERFEITAS” – UM NOVO ROMANCE DE MANUELA DEGERINE

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Manuela Degerine é uma romancista com créditos firmados. Logo no seu  primeiro romance, publicado em 1991, A curva do O, demonstrou umaImagem1 perícia invulgar na construção das suas personagens, sendo de salientar a mestria com que reproduzia a personagem masculina, de Jorge. Qualidade que tem vindo a demonstrar, com uma destreza crescente, em Jardins de Queluz, 1994; A Dúvida e o Riso, 1997, Uma Gota de Orvalho, 2000, O Peixe Sol, 2002. Fado das Vidas Imperfeitas, lançado ainda em 2012 em suporte digital, apresenta-se com uma escrita límpida – palavras  pesadas em balança de prata, dando-nos sempre a noção de que os vocábulos que usa não podiam ser substituídos – são termos precisos. Essa precisão resulta numa das escritas mais límpidas da literatura portuguesa, recriando com vocábulos  ambientes, odores, sentimentos, personagens com espessura, que saltam das páginas. A construção das personagens, feita do interior para o exterior confere às figuras dos seus romances a qualidade de hologramas, a certa altura começamos a «vê-las». Uma qualidade literária de grande valor pela sua raridade. Por isso, pelo resultado, compreende-se o método – Manuela Degerine constroi os seus romances com elementos que conhece bem, move-se no interior do seu universo. Desta vez porém, ainda que a sua Marta contenha traços autobiográficos (Milan Kundera afirma que, de certo modo, todos os romances são autobiográficos), a autora concebe uma engenhosa teia de acontecimentos que nos prendem a atenção até ao fim: Marta, a figura central do romance, é atropelada por um homem que a conduz ao hospital e a rodeia de atenções, prendendo-a numa teia de equívocos. Presa nesse labirinto, Marta procura a saída. O acaso de uma herança fornece-lhe os meios para uma fuga. Uma pequena cidade de província é o buraco negro em que procura desaparecer e desembocar noutra realidade – como uma página em branco onde possa reescrever a sua vida. Algo que todos desejamos – ter oportunidade de começar de novo. Mas esse sonho de Marta depressa se dilui – segredos familiares, ódios, ressentimentos, surgem no seu caminho… Não dizemos mais sobre a história.  Apenas mais três palavras – leiam este romance. (CL)

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