FERNAND’ESQUIO
(fins do séc. XIII – princípios do séc. XIV)
Vaiamos, irmana, vaiamos dormir,
nas ribas do lago, u eu andar vi
a las aves, meu amigo.
Vaiamos, irmana, vaiamos folgar
nas ribas do lago, u eu vi andar
a las aves, meu amigo.
Enas ribas do lago, u eu andar vi,
seu arco na mãao as aves ferir,
a las aves, meu amigo.
Enas ribas do lago, u eu vi andar,
seu arco na mano a las aves tirar,
a las aves, meu amigo.
Seu arco na mano as aves ferir,
e las que cantavam leixa-las guarir,
a las aves, meu amigo.
Seu arco na mano a las aves tirar,
e las que cantavam nom nas quer matar,
a las aves, meu amigo.
Representante da pequena nobreza galega, era provavelmente natural da região de El Ferrol, e deve ter vivido em Santiago. O seu nome andou erroneamente transcrito como Fernando Esguio.
Glossário: “a las aves”: à caça das aves; “leixa-las guarir”: deixa-as viver. Do ponto de vista linguístico, de notar a indecisão entre “mãao” e “mano”, sinal de que as duas formas conviviam.


Como que de “El Ferrol”, chamo eu à capital portuguesa de “Lisbuena”? Refiro-me à segunda cidade como “El Puerto”? Pois, por favor, estarmos sob o governo de inúteis espanhóis não significa que sejamos espanhóis. Galiza não deve chamar-se nunca espanhola (Rosalia dixit) a si mesma, e nunca deve ser tratada por portugueses como tal.