POESIA AO AMANHECER – 117 – por Manuel Simões

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FERNAND’ESQUIO

(fins do séc. XIII – princípios do séc. XIV)

Vaiamos, irmana, vaiamos dormir,

nas ribas do lago, u eu andar vi

      a las aves, meu amigo.

Vaiamos, irmana, vaiamos folgar

nas ribas do lago, u eu vi andar

     a las aves, meu amigo.

Enas ribas do lago, u eu andar vi,

seu arco na mãao as aves ferir,

     a las aves, meu amigo.

Enas ribas do lago, u eu vi andar,

seu arco na mano a las aves tirar,

     a las aves, meu amigo.

Seu arco na mano as aves ferir,

e las que cantavam leixa-las guarir,

     a las aves, meu amigo.

Seu arco na mano a las aves tirar,

e las que cantavam nom nas quer matar,

     a las aves, meu amigo.

Representante da pequena nobreza galega, era provavelmente natural da região de El Ferrol, e deve ter vivido em Santiago. O seu nome andou erroneamente transcrito como Fernando Esguio.

Glossário: “a las aves”: à caça das aves; “leixa-las guarir”: deixa-as viver. Do ponto de vista linguístico, de notar a indecisão entre “mãao” e “mano”, sinal de que as duas formas conviviam.

1 Comment

  1. Como que de “El Ferrol”, chamo eu à capital portuguesa de “Lisbuena”? Refiro-me à segunda cidade como “El Puerto”? Pois, por favor, estarmos sob o governo de inúteis espanhóis não significa que sejamos espanhóis. Galiza não deve chamar-se nunca espanhola (Rosalia dixit) a si mesma, e nunca deve ser tratada por portugueses como tal.

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